Após Lava Jato, Transparência Internacional quer equipe no Brasil

O presidente da Transparência Internacional, José Carlos Ugaz, afirmou nesta segunda-feira (27), em Curitiba, que a organização pretende instalar um centro de análise anticorrupção no Brasil. 
Por trás da decisão, está a Operação Lava Jato que desvendou um esquema de corrupção e desvio de dinheiro na Petrobras e também em outros órgãos públicos. 

Há ainda a intenção de dividir com outros países as informações, como uma forma de internacionalizar a operação.“[O Brasil] É um país muito relevante na região, um país importante para o mundo. Nós estamos muito interessados no resultado do que está passando aqui”,
afirmou Ugaz após sair de uma reunião com o juiz Sérgio Moro, que é responsável pelas ações da Lava Jato na primeira instância. Ele destacou que muitas empresas investigadas atuam em outros países da região e por este motivo a troca de informações entre as instituições se torna relevante.“É um caso que ultrapassa a fronteira do Brasil, há muitos países da região onde as empresas estão incorrendo em práticas de corrupção”, argumentou José Carlos Ugaz.

A Transparência Internacional é uma ONG considerada referência mundial na análise da corrupção.O último relatório apresentado colocou o país na 76º posição em ranking sobre a percepção de corrupção no mundo - 168 países e territórios integram o levantamento. 

De acordo com Ugaz, ao se estabelecer uma equipe de trabalho no Brasil, a intenção é apresentar uma proposta de combate à corrupção.Um dos mecanismos seria o Sistema Nacional Anticorrupção (SNAc), que possui uma metodologia própria da Transparência Internacional, e poderia ser a via de troca de experiências de boas práticas contra a corrupção desenvolvidas pelo mundo.“Queremos que a informação seja processada, tem que haver reformas. 

O problema da corrupção em países como o Brasil e muitos países da região, é que é uma corrupção sistêmica, estrutural.”Na capital paranaense, Ugaz ainda deve se encontrar com o procurador coordenador da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF), Deltan Dallagnol. “A experiência da Lava Jato pode ser aproveitada em outros países do mundo”, pontuou o presidente.“Estamos interessados em conversar sobre a possibilidade de buscar esforço comum para a investigação”.

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Ugaz ainda irá na redação do jornal Gazeta do Povo. Cinco jornalistas são alvos de 41 ações judiciais, movidas por juízes e promotores, após a publicação de uma série de reportagens que mostrou salários acima do teto constitucional pagos pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) e pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR). Eles pedem indenização por danos morais.As reportagens tinham como base dados dos portais da transparência dos órgãos e foram publicadas em fevereiro deste ano. O material apontou que magistrados receberam, em média, mais de R$ 500 mil em 2015. 

O presidente da Transparência Internacional caracterizou a situação como perseguição aos jornalistas. Ele disse que vai prestar a solidariedade da organização aos profissionais. “A mensagem que trazemos é de que estamos muito atentos e qualquer coisa que ocorra será denunciada ao mundo”, disse.A Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar) considera que os juízes passaram a sofrer constrangimento e diz que não há tentativa de intimidação. Já a Associação Paranaense do Ministério Público (APMP) declarou que as ações não representam tentativa de ferir o direito de informação.Depois de Curitiba, o presidente segue para Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.
Após Lava Jato, Transparência Internacional quer equipe no Brasil Após Lava Jato, Transparência Internacional quer equipe no Brasil Reviewed by CM on segunda-feira, junho 27, 2016 Rating: 5