Advogado desiste da profissão após cruzar com assassino do pai na rua

Pai de Rafael Guimarães era síndico do edifício Santa Eulália e foi morto pelo vizinho do apartamento em frente ao seu Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Advogado desiste da profissão após cruzar com assassino do pai na rua. Um desabafo emocionante está circulando no Facebook. Rafael Guimarães, 32 anos, publicou um texto contando que seu pai foi assassinado brutalmente em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, há oito meses.  
Guilherme Antônio Nunes Zanoni foi preso em flagrante na cena do crime  
Foto: Divulgação / Brigada Militar/Divulgação
No entanto, o assassino, Guilherme Antônio Nunes Zanoni, recebeu Habeas Corpus e está solto para responder ao crime em liberdade. Rafael, que é formado em direito e advogado, conta que tentou atuar junto ao Ministério Público, como assistente de acusação, para garantir a prisão do assassino de seu pai, mas diz que desistiu da profissão. "Foram diversas audiências cara a cara com o assassino, que, até então, estava recolhido no presídio central. O fato de ele estar preso amenizava a dor que eu sentia, que eu sinto. Fiz o que pude pra manter o assassino preso", escreveu. Rafael relata no texto que encontrou o assassino do pai na rua e diz que está decepcionado com o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Ele afirmou que não atuará mais como advogado. "O assassino está fora da cadeia. Repito: um assassino. Não é um ladrão de galinha, nem um ladrãozinho de carteira. É alguém acusado de homicídio triplamente qualificado e que confessou o crime", questiona. 

Leia na íntegra o texto publicado por Rafael Guimarães no Facebook.

A partir de hoje não sou mais advogado. Se precisarem de algum, não me procurem. Aliás, não procurem nenhum, principalmente se vocês forem acusados de assassinato, afinal a lei já vai te garantir liberdade e mais um monte de benefícios. Eu achei que era forte. Há 8 meses perdi meu pai da forma mais brutal que alguém pode imaginar. Precisei de muita força pra suportar a situação e de mais força ainda pra atuar, juntamente com o Ministério Público, no processo, como assistente de acusação. Foram diversas audiências cara a cara com o assassino, que, até então, estava recolhido no presídio central. O fato de ele estar preso amenizava a dor que eu sentia, que eu sinto. Fiz o que pude pra manter o assassino preso, por mais que eu não atue nessa área. Ontem, saindo do meu trabalho, me deparo com quem na rua?  
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul concedeu habeas corpus para que o assassino do meu pai (aquele que matou com golpes de faca, deixando meu pai agonizando até a morte, sem motivo algum) possa responder ao crime fora da cadeia. Quem será a próxima vítima até que seja julgado daqui a vários anos? Fico pensando no quanto eu estudei pra me tornar advogado, pra chegar agora e minha vida se encontrar nessa situação. Eu confesso que tenho vergonha da profissão que escolhi. Por isso, a partir de hoje, não me procurem mais nesse sentido. Eu peguei minha carteira da OAB há bem pouco tempo, mas já tenho vergonha de andar com isso. O assassino está fora da cadeia. Repito: um assassino. Não é um ladrão de galinha, nem um ladrãozinho de carteira. É alguém acusado de homicídio triplamente qualificado e que confessou o crime. Vocês sabem o que é isso? 
 
Se não sabem, procurem ler do que se trata, porque como falei, eu não sou mais uma pessoa que pode falar sobre isso. Eu me formei em Direito, mas não sei responder qual direito eu tenho. O assassino tem direito de estar com a família, respondendo ao processo em casa. 
Que direito eu tenho? Não me garantiram nenhum direito, nenhum. O único direito que eu tive foi o de enterrar meu pai. O único que continua preso e sem direito a advogado é o meu pai. Habeas corpus nenhum tira ele de onde está. Ele nunca mais sairá do lugar onde foi colocado por essa pessoa que falei que está solto por aí. Na verdade, eu e meu irmão também estamos presos, pra sempre. Presos à ideia de que nunca mais veremos nosso pai.Já o assassino, está a desfrutar do direito que lhe foi concedido: estar em casa com a família. Eu achei que era forte, mas desisto. (Noticias ao Minuto)
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