China quer confiscar dízimos e ofertas

Autoridades chinesas continuam a pressão sobre as igrejas cristãs, sobretudo nas províncias onde o cristianismo é mais forte. Após ordenar a retirada das cruzes de cima dos templos, prender pastores e membros, torturá-los e até matar alguns, o governo agora está exigindo que todas as doações entregues na igreja – como dízimo ou oferta – sejam confiscadas.

Um novo conjunto de leis foi implantado, que inclui a necessidade de os pastores pedirem permissão do governo se quiserem comprar equipamentos ou mobília para os locais de culto, que ultrapassem o valor equivalente a mil reais.

É um endurecimento do processo que se iniciou no ano passado, quando o governo impôs regras mais rigorosas em relação a construção ou reforma de igrejas, aliado a uma censura prévia de sermões, gestão padronizada e outras práticas que tentaram criar um cristianismo submisso ao Partido Comunista.

Segundo a missão China Aid, desde meados do ano passado, o governo está monitorando de perto as atividades dos cristãos. Foram criados escritórios para os funcionários do governo dentro de algumas igrejas. Em determinadas províncias, a exigência é que a bandeira oficial da China seja colocada no topo dos prédios e nos púlpitos, no lugar onde tradicionalmente ficam as cruzes.

Aumento exponencial da perseguição

A perseguição contra os cristãos na China ficou sete vezes maior na última década. De acordo com o último relatório da missão China Aid, desde 2008 a estimativa é que continue a crescer.
Com a ascensão do presidente, Xi Jinping, o discurso oficial da China é que a “gestão da religião é, em essência, a gestão das massas”. Atualmente, o país está entre os que mais perseguem os cristãos no mundo, segundo a missão Portas Abertas.

Somente no ano passado na província de Zheijang, mais de 20 igrejas foram demolidas, 1.300 cruzes removidas, mais de 500 cristãos levados pela polícia, pelo menos 130 cristãos sendo agredidos pelas autoridades e 60 cristãos estão presos, sendo pelo menos 28 pastores. A maioria não é acusada de nenhum crime, a não ser o de defender a fé cristã.

Apesar de tudo isso, cristianismo continua crescendo em solo chinês. Oficialmente, existem hoje cerca de 100 milhões de cristãos no país mais populoso do mundo. Estudiosos acreditam que o número pode ser 3 vezes maior. Ao mesmo tempo, os membros do Partido Comunista Chinês totalizam 86,7 milhões, sendo que a maioria é comunista só de nome.

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