Avó de criança torturada em rituais de magia negra é solta após 6 meses

A Justiça mandou soltar nesta segunda-feira (15) a avó adotiva do menino de 4 anos que foi vítima de tortura em rituais de magia negra. A decisão partiu da criança foi da 7ª Vara Criminal de Campo Grande. Ela ficou quase seis meses na prisão e deve aguardar o julgamento em liberdade. A mulher foi presa em março deste ano em Aquidauana, cidade a
131 km da capital de Mato Grosso do Sul.
A mulher de 60 anos é avó materna do menino. Para a polícia ela participou junto com a filha, o marido dela e os primos das sessões de tortura contra o menino. Na época da prisão, ela negou que soubesse das agressões e tortura durante rituais de magia negra.

Entenda o caso

Quatro pessoas foram presas na época por envolvimento nas agressões e tortura, descobertas em visita surpresa da equipe do abrigo onde o menino vivia.
Ele foi internado na Santa Casa da capital no dia 23 de fevereiro, com queimaduras no rosto, fratura em um dos braços, ferimentos nos olhos e saco escrotal. No hospital, a tia-avó justificou os ferimentos dizendo que a criança havia caído.
O caso foi denunciado pelo hospital e chocou profissionais das polícias militar e civil, Conselho Tutelar e médicos. Os tios-avós foram presos e confessaram a tortura em rituais de magia negra.
Objetos usados na tortura estavam na casa
(Foto: Divulgação/ Polícia Civil de MS)
Eles tinham a guarda-provisória da criança e afirmaram que as agressões ocorriam também fora dos rituais de magia negra. Os nomes dos tios-avós não serão divulgados nesta reportagem para garantir os direitos de proteção da criança.

Criança tem ferimentos nos pés e uma das unhas
arrancadas (Foto: Divulgação/ Polícia Civil de MS)
Família
O homem preso é irmão da avó paterna biológica do menino. Ele e a esposa teriam sido os familiares mais próximos interessados na guarda da criança, depois que a avó paterna devolveu a criança à Justiça alegando que não tinha condições de cuidá-la.
Segundo a polícia, os pais biológicos do menino são usuários de droga e o abandonaram. Em depoimento, a tia-avó contou que quis adotar a criança com intenção de utilizá-la em rituais de sacrifício.
Eles moravam nos fundos de um prédio comercial no Centro da capital sul-mato-grossense, em uma espécie de cortiço ao lado de outras três residências.

Vizinhos afirmaram à polícia não terem suspeitado da situação. O casal foi indiciado por tortura qualificada por lesão grave com a pena aumentada pela vítima ser criança e abandono de incapaz.
Charuto era usado para queimar criança, segundo a polícia (Foto: Divulgação/ Polícia Civil de MS)

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