Mãe luta para descobrir quem matou o filho há 3 anos

"Quem matou Bruno?" O questionamento é  repetido à exaustão por Sônia Bitencourt, 68, às vésperas de completar  três anos da  morte do filho, o analista de sistemas Bruno de Almeida Bitencourt. Envolto em mistério, o caso permanece sem resposta desde  a noite de 28 de agosto de  2013, quando ele desapareceu e, no dia seguinte, foi encontrado carbonizado no porta-malas do próprio carro.
"Meu filho morreu, mas até hoje não se sabe o porquê, quem fez isso e o que ocasionou a morte dele", desabafa Sônia, no sofá da casa que dividia com "o filho  do meio", o único que ainda vivia em sua companhia, no IAPI.

Embora desejasse casar, assim como as duas irmãs, Bruno, à época com 34 anos, adiava os planos porque não queria deixar a mãe sozinha. O apego era tal que Sônia  estranhou o fato de o filho ter dormido fora de casa naquela que seria a última noite de espera.

"Ele não tinha esse costume. Lembro que a cidade ficou sem luz por causa de um apagão. Pensei: notícia ruim chega logo. Bruno é medroso, foi dormir na casa do amigo", conta.

Quase 24 horas depois do sumiço do filho, ela  soube, enfim, o que tinha acontecido por meio de familiares,  que se reuniram na casa de um dos genros. "Era umas 18h,  tinha muita gente, um chororô. Eu pensando que fosse acidente, sequestro...  O marido de minha filha disse: 'Dona Sônia, Bruno não está mais entre nós'. Perguntei: como não está? Eu  quero vê-lo.  Mas minha filha falou que não tinha o que ver", relembra, entre lágrimas.
 
Polícia investiga
O delegado Adailton Adan,  atualmente  titular da 1º DT (Barris), informou à reportagem que a investigação do caso segue com novas diligências, embora já tenha a autoria esclarecidas, além de provas do crime.
Segundo ele,  o inquérito chegou a ficar parado em razão  de um "conflito de competência", apontado pelo Ministério Público (MP-BA), uma vez que o desaparecimento de Bruno se deu em Salvador, mas o desfecho do crime ocorreu em Simões Filho. 
"Depois  da questão do conflito de competência territorial, sobre qual delegacia conduziria a investigação, o inquérito voltou para mim  em julho agora. E já há pedidos de prisão dos autores aguardando a apreciação do MP  da Justiça", destaca Adan, que assumiu o caso desde que esteve à frente da   22ª DT. "A investigação retornou porque, como a conheço desde o início,  o MP  orientou que eu a concluísse", explica.
 
Corpo cabonizado
Conhecido no meio artístico  de Salvador por prestar suporte na área de informática,  Bruno estava na Barra, com um amigo, no momento em que  teria  recebido um telefonema  naquela noite de quarta-feira . Segundo familiares, após a ligação, ele disse que iria à Avenida Garibaldi.
"Ele não queria ir, mas insistiram tanto que ele foi", contou o amigo. Menos de 24 horas depois, o  carro de Bruno, um Ford Focus, foi localizado incendiado em um descampado na região do CIA (Simões Filho).  O corpo dele,  achado no porta-malas,  ficou totalmente carbonizado. A poucos metros dali, havia o cadáver de um homem apontado como traficante, o que, para a mãe de Bruno, não há relação com a sua morte.
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