'Não tem como a gente ficar em casa', teme parente de irmãos mortos

Crime pode ter sido motivado por vingança após assassinato de cigano.
Homem foi morto em 2014 por irmão do gêmeos, que está preso.
Familiares dos gêmeos Silvio Cezar Carvalho Santos e Cezar Silvio Carvalhos Santos, mortos a tiros, em Salvador, temem a onda de violência que atinge a família desde 2014, quando a ex-cunhada e dois sobrinhos dos irmãos foram mortos. Este primeiro crime contra a família ocorreu depois que Jailton Carvalho Santos, irmão dos gêmeos, matou um cigano. Jailton foi julgado pelo crime e está preso.

"Não tem como a gente ficar em casa. Não tem como ter aquela segurança de liberdade, que se fosse pra viver assim, eu era um marginal, e não sou", disse um familiar dos gêmeos que preferiu não se identificar.
Os irmãos foram mortos na quarta-feira (17), na localidade de Baixa do Tubo, no bairro de Cosme de Farias. Eles foram enterrados nesta quinta-feira (18), no Cemitério Municipal de Itapuã, na capital baiana. Familiares não quiseram que a imprensa registrasse a cerimônia.
Silvio Cezar era advogado e tinha um escritório onde foi morto. Já Cezar Silvio era repórter cinematográfico.

Polícia investiga vingança
A polícia investiga se o crime contra os gêmeos tem ligação com uma possível vingança pela morte do cigano Jair Ferraz, ocorrida em Simões Filho, região metropolitana de Salvador, em 2014.
Jailton Carvalho Santos, irmão dos gêmeos, foi preso pelo assasinato do cigano. Ele confessou o crime, foi julgado e condenado a 14 anos de prisão. Jailton cumpre a pena em regime fechado.
A delegada Andréa Ribeiro, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela investigação das mortes dos irmãos disse que Jailton Carvalho Santos teria uma dívida com o cigano, que atuava como agiota. Por causa dessa dívida, Jailton matou o cigano. "Desde então [da morte do cigano], a família [dos gêmeos] disse que não teve mais paz. A vingança não para. Esse foi o recado que eles [os ciganos] quiseram dar", afirmou Andréa Ribeiro.
A família dos gêmeos informou em depoimento à Polícia Civil que sofreu ameaças desse grupo ligado a Jair Ferraz. Logo após a morte do cigano, as outras três pessoas da família dos gêmeos foram mortas.
O advogado Abdon Abade, que atende a família do cigano Jair Ferraz, morto durante a briga em 2014, informou nesta quinta-feira (18) ao G1, que nenhum parente do cigano tem ligação com a morte dos irmãos gêmeos, ocorrida na quarta-feira. Abade detalha que pretende conversar com a delegada responsável pelo caso na sexta-feira (19) a fim de conseguir detalhes a respeito das suspeitas da polícia contra familiares de Jair.

Crime
Conforme as informações iniciais da polícia, dois homens chegaram no local e um deles chamou por Silvio. Quando ele apareceu, foi baleado. A vítima morreu no local. Ao ouvir os disparos, Cezar tentou dar socorro ao irmão, mas acabou baleado. Ele chegou a ser socorrido por vizinhos para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas já chegou à unidade de saúde sem sinais vitais.
Durante o socorro, o suspeito que estava em uma moto com outro homem, chegou a perseguir o carro onde estava a vítima baleada e ainda disparou contra o veículo, mas ninguém foi atingido. Os suspeitos fugiram. Até agora, ninguém foi preso.
Em contato com o G1, um familiar dos gêmeos contou que Cezar ouviu tiros próximo ao escritório de Silvio, que era advogado, e ao tentar dar socorro também foi atingido pelos disparos. O rapaz ainda informou que o suspeito de atirar seria um cliente da vítima.
Cezar Silvio Carvalho Santos trabalhou como operador de áudio e depois como cinegrafista, por 15 anos na TV Bahia.
Briga com ciganos
Em 2014, o comerciante Jailton Carvalho Santos, irmão das vítimas, foi preso acusado de matar o cigano Jair Ferraz de Almeida, que atuava como agiota. O crime ocorreu na cidade de Simões Filho, na região metropolitana de Salvador.
À época, a Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) informou que a ex-mulher de Jailton teria contraído empréstimo de R$ 7 mil com o cigano, valor que em quatro meses subiu para R$ 122 mil. Ainda segundo a SSP-BA, a dívida teria sido o motivo de Jailton ter matado o cigano, em 14 de agosto, em um trecho da rodovia BR-324.
Após a morte do cigano, três familiares de Jailton foram assassinados: a ex-companheira de dele, a professora primária Nilda Maria Fiuza, 52 anos, que foi quem contraiu a dívida; David Santos, 19, filho do comerciante com outra mulher; Uanderfon Alves dos Santos, 23, sobrinho de Jailton. Dois ciganos conhecidos como Bira e Gilmar foram apontados por uma testemunha como participantes desses três crimes.

A SSP-BA destacou que, no depoimento prestado à polícia, Jailton informou que ele e Nilda passaram a ser pressionados pelo cigano para saldar a dívida. Segundo ele, o casal já havia pago R$ 43 mil, mas o agiota exigia mais R$ 79 mil. Jair chegou a exigir a casa da professora, avaliada em R$ 400 mil, como pagamento do empréstimo.
Para se livrar da pressão do agiota, o comerciante planejou o assassinato. Garantindo que iria liquidar a dívida, Jailton atraiu o cigano até sua loja, na Avenida Bonocô. O cigano chegou ao estabelecimento em companhia de sua mulher, de prenome Clarisse, e dali o casal seguiu com o comerciante para o município de Simões Filho. Ao chegar em um local pouco movimentado, Jailton sacou um revólver calibre 38 e efetuou dois disparos contra o cigano e depois obrigou Clarisse a sair do veículo. O carro foi encontrado queimado, duas semanas depois, na cidade de Coração de Maria.
A polícia ainda apurou que dois cheques no valor de R$ 28 mil, que estavam em poder do cigano, foram depositados na conta de Jailton.
Do G1 BA, com informações da TV Bahia
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