GO: Professora acusada de matar e guardar corpo de bebê fará exame de insanidade mental

A professora Márcia Zaccarelli Bernaseti, de 37 anos, acusada de matar a filha recém-nascida e esconder o corpo em um escaninho por cinco anos, em Goiânia, será submetida a um exame de insanidade mental. O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, responsável pelo processo na 1ª Vara Criminal da capital, instaurou o pedido, de ofício, e a análise será feita pela Junta Médica do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO).

O magistrado disse que fez o pedido com o objetivo de verificar se a professora sofria de alguma doença ou perturbação mental na época em que matou a filha. Alcântara também determinou a suspensão do processo por 45 dias e intimou Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) e a defesa de Márcia para também apresentarem quesitos, caso julguem necessário.

“Em um caso como esse sempre fica uma dúvida sobre a sanidade mental da pessoa. Como jurista, não tenho como precisar essa questão. Como nem a defesa e nem o Ministério Público pediram esse esclarecimento, solicitei o exame. Se ficar verificado que ela tem algum problema mental, isso pode mudar totalmente os rumos do processo. Então é importante esclarecer essas dúvidas”, explicou o juiz ao G1.
A professora está presa desde o último dia 9 de agosto, quando o ex-marido dela encontrou o corpo do bebê no escaninho do prédio em que a mulher morava, em Goiânia. Após ser presa, a mulher confessou que matou e escondeu o cadáver no local.
Márcia deu à luz uma menina no dia 15 de março de 2011. Segundo a denúncia do MP-GO, ela ligou para um amigo que a levou para o hospital quando começou a sentir contrações. Esse amigo ainda deu R$ 3 mil para que a professora fizesse o parto cesárea.

A criança nasceu saudável e, um dia após o parto, realizado em uma maternidade particular da capital, a professora recebeu alta. Consta na denúncia que a investigada “matou uma criança recém-nascida mediante asfixia, tampando o seu nariz. Em seguida, colocou o cadáver dentro de uma bolsa e o levou para o apartamento onde morava, onde o envolveu com pano e saco plástico, depois acondicionou em uma caixa de papelão e o escondeu no escaninho de seu apartamento”.
A professora passou por uma audiência de instrução na última segunda-feira (26). Na ocasião, ela mudou a versão dada à polícia e disse que não se lembra como cometeu o crime. Durante a sessão, também foi ouvido o ex-marido da mulher, que negou que a filha fosse dele e disse que jamais desconfiou que Márcia estivesse grávida.

“O tamanho do desespero, eu não sei o que me deu, doutor. Eu não me recordo. Eu fiquei andando com ela assim, abraçada, apertada. Eu não sei se eu queria o carinho dela, eu não sei o que aconteceu comigo. Eu não sei”, disse Márcia ao juiz.

Após colher o depoimento da mulher, o magistrado entendeu ser necessário esclarecer, entre outros pontos, se Márcia era, na época do crime, portadora de doença mental, se apresentava desenvolvimento mental incompleto ou retardado, se apresentava perturbação mental ou se tinha plena capacidade de entender a ilicitude do fato ou de autodeterminação.
Além disso, o magistrado também quer esclarecimentos sobre estado puerperal, prazo de duração e como uma mãe age nessa situação, além de saber se a professora matou a filha para esconder um possível relacionamento extraconjugal.

Fernanda Borges Do G1 GO
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