Homem que perdeu 294 kg luta contra excesso de pele e para ter vida normal

Perder 294 quilos é uma conquista notável, mas não significa o fim de seus problemas.
Faz mais de seis anos que Paul Mason, que já pesou 444 kg e não conseguia sair da cama, voltou à vida com a cirurgia bariátrica e sua própria força de vontade. Mas ele ainda carrega consigo seu passado.

Na quarta-feira (31), Mason, que tem 55 anos e hoje vive em Athol, na zona rural de Massachusetts, deu mais um passo importante em um processo que foi longo e desigual, marcado por pequenas vitórias e reveses inesperados. Ele passou pela segunda cirurgia para eliminar o excesso de pele que envolvia seu corpo: no ano passado, 23 quilos foram removidos de seu abdômen, e desta vez mais 4,5 kg foram tirados de seus braços e quadris, em uma operação de várias horas em Nova York.

Pode não parecer muito. Mas imagine qual seria a sensação, por exemplo, de ter um saco frouxo pesando 1,3 kg pendurado de cada um de seus braços. A pele não apenas balançava, como roçava contra si mesma, lembrando Mason constantemente da pessoa que ele quer deixar para trás.



"Ainda me sinto preso nesse excesso de pele", disse Mason em sua cama na manhã de quarta-feira, enquanto os cirurgiões marcavam seu corpo para a operação. "Será uma nova mudança de vida para mim."
A cirurgia foi realizada mais uma vez sem custos no Hospital Lenox Hill, em Manhattan, por uma equipe de sete médicos liderada por três especialistas de três hospitais. Foi difícil, precisa e extraordinariamente complexa. Retirar uma massa de pele excedente, como qualquer pessoa que foi obesa e perdeu muito peso sabe, não é uma questão de simplesmente pegar um bisturi, cortá-la e costurar o resto.

"Nós três passamos muito tempo pensando em como lidar com a realidade de seus braços --a quantidade de pele excedente é muito maior do que vemos normalmente", disse a doutora Jennifer Capla, que realizou a cirurgia junto com dois antigos colegas: o doutor Joseph Michaels, cirurgião plástico em Bethesda, Maryland, e o doutor J. Peter Rubin, catedrático do Departamento de Cirurgia Plástica na Universidade de Pittsburgh.

A equipe teve de descobrir onde fazer as incisões, o que era muito mais difícil neste caso. Havia ainda a questão das dezenas de vasos sanguíneos dilatados que tinham de ser cortados com a pele. 

Paul Mason se prepara nos EUA para cirurgia para remover 100 kg de pele solta
Como Mason precisava de anticoagulantes para evitar trombose, a preocupação era que se os vasos não fossem bem selados poderiam sangrar descontroladamente. "Na vida normal, nós grampeamos, cauterizamos ou ligamos um vaso", disse Capla. "No caso de Paul, tivemos de fazer as três coisas em cada um."

Os tabloides britânicos costumavam chamar Mason de o homem mais gordo do mundo. Antes que ele fizesse a cirurgia bariátrica, em 2010, esteve na cama em Ipswich, no Reino Unido, durante dez anos. Vítima de abusos quando criança e em profunda depressão, ele tinha limitado sua vida ao mais básico, uma repetição interminável: dormir, comer, dormir, comer sem parar. A comida era seu único conforto e seu constante tormento. Quando ele finalmente saiu de casa para a primeira cirurgia, o departamento de bombeiros teve de derrubar uma parede e retirá-lo com um pequeno guindaste.

Mason mudou-se para os EUA quando Capla, que havia lido sobre ele em "The New York Times", ofereceu-se para cuidar da cirurgia de remoção de pele que nenhum médico britânico quis tentar.
Mais ou menos nessa época, Mason embarcou em um relacionamento no Facebook com uma mulher chamada Rebecca Mountain, que tinha lido sobre ele e acabou convidando-o a morar com ela em Massachusetts. Eles estavam noivos e ela ficou ao lado dele durante a operação no ano passado.

Depois disso houve mudanças na vida de Mason, positivas e negativas, algumas registradas em uma série sobre ele no TLC. Ele e Mountain se separaram no ano passado devido ao peso de problemas financeiros e o estresse de viver juntos com tanta coisa acontecendo. Mason agora mora em um apartamento em uma pensão. Ele teve alguns outros relacionamentos breves, mas nenhum deu certo. "Não tenho muita vida social", explicou.
Depois da cirurgia no ano passado, Mason conseguiu baixar de peso para 140 kg, começou a caminhar e a se exercitar em uma academia. Mas voltou para cerca de 160 kg e teve vários problemas. Ele tem artrite nos dois joelhos, tendência a infecções frequentes em uma das pernas e precisa ser internado a intervalos. Embora não use mais cadeira de rodas, ele anda com dificuldade, usando uma bengala.

Depois da última cirurgia, disse Mason, ele pretende cuidar de sua artrite, começar a fazer exercício de novo e um dia comprar um carro. O dinheiro está justo, mas ele se sustenta com uma aposentadoria de seus ganhos anteriores como funcionário dos correios anos atrás, o último emprego fixo que teve. Enquanto se recupera, fica em um hotel em Manhattan, num quarto pago por um doador anônimo cuja mãe morreu de complicações da obesidade há alguns anos.

Os três médicos disseram que o caso de Mason é o mais radical em que já trabalharam. Além disso, ele tem repercussão em uma época em que a obesidade é uma epidemia e muito pacientes obesos não conhecem as consequências do emagrecimento radical.
"Eles ficam com muitas cicatrizes psicológicas", disse Michaels, além do excesso de pele e outros problemas físicos restantes.

Capla disse que ela se sente protetora com Mason, que parece tão vulnerável mas perseverou de todo modo.
"Você tem de descobrir para que você quer viver", disse ela. "Alguém que é tão complicado emocionalmente poderia ter desistido muitas vezes, mas ele não. É uma das partes mais interessantes nisso tudo, alguém que parece ter todos os motivos para atirar a toalha, mas luta o tempo todo."
 Josh Haner/The New York Times
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