Acumulador baiano possui 'montanha' de entulho com objetos que juntou ao longo de 18 anos

Estrado de cama, madeira compensada, pneus, lonas, geladeiras, ferragem para construção, cabeceira de cama, fogão e tonéis são alguns dos materiais que foram encontrados do lado de fora da casa de Antônio Ribeiro, de 57 anos, morador de Salvador. Ele é acumulador, transtorno no qual o principal sintoma é a pessoa não conseguir se abster de recolher, de juntar objetos que para ela tem um grande valor, mas que para as outras pessoas não existe valor.

Todos os objetos que Antônio acumulou não cabem dentro da casa dele, localizada no bairro Fazenda Coutos, no subúrbio de Salvador. Como o imóvel já está abarrotado de coisas que ele juntou ao longo de 18 anos, Antônio acabou formando uma "montanha" de objetos em frente à residência. Antônio Ribeiro é viúvo, mora sozinho e ganha a vida com a venda de material reciclável. Com a compra constante de objetos para reciclar, ele acabou os acumulando na casa onde mora.

"O material fino eu trazia, separava, para pesar imediatamente, e o material grosso, pesado, ficou se acumulando por eu não poder separar e ir vender, e o tempo se passou", contou Antônio.

Diante da acumulação, a casa do viúvo virou depósito. Todo o imóvel está cheio de objetos que impossibilitam até as pessoas de circularem dentro do local. Além disso, fica difícil até diferenciar os cômodos da casa. Na sala de Antônio, por exemplo, tem uma caixa dágua.

Por ser um acumulador, Antônio está recebendo a visita de uma equipe da Secretaria Municipal de Promoção Social. Desde 2015, o órgão oferece assistência psicológica, medicamentos e acompanhamento a pessoas que sofrem desse transtorno. Quarenta e três acumuladores já foram atendidos e só seis tiveram recaída.

Após receber a equipe da Semps, Antônio aceitou ser acompanhado para tratamento e permitiu que funcionários da coleta de lixo de Salvador começassem a limpar a casa dele.

"Não só para poder melhorar a qualidade de vida do seu Antônio, como é o caso aqui, mas de toda a comunidade, né? Porque a gente pode perceber que aqui pode ser um local que vai ter acumulação de insetos, de roedores e também é importante para a gente cuidar da saúde mental de seu Antônio", explicou Flávia Cavalcante, coordenadora das ações sociais da Semps.

Outro caso

Assim como Antônio Ribeiro, quem também já recebeu ajuda da equipe da Semps foi Manoel Barbosa. Ele é acumulador, mas foi acompanhado pela secretaria e hoje mantém a casa mais organizada.

Em janeiro deste ano, foram retirados da casa de Manoel, no bairro da Ribeira, cerca de 10 toneladas de entulho.

De acordo com a Semps, foi necessária ajuda de oito agentes de limpeza para retirar os objetos, e o trabalho durou mais de três dias.

Agora, com a casa mais organizada, Manoel conta que tudo na residência tem o seu lugar. "Esses brinquedos eu vou achando na rua, eu gosto de colecionar, aí vou pegando e vou botando no lugar, entendeu?", explicou.

Manoel conta que agora se sente mais feliz com o espaço que pode usufruir na casa onde mora. "Não estava legal, não. Estava apertado. Agora eu tenho espaço. Posso deitar em qualquer lugar, que eu tenho espaço", diz.
Acumulador baiano possui 'montanha' de entulho com objetos que juntou ao longo de 18 anos  Acumulador baiano possui 'montanha' de entulho com objetos que juntou ao longo de 18 anos Revisado by CM on quarta-feira, agosto 23, 2017 Classificação: 5

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