Serra do Ramalho: filme premiado que estreia hoje busca romper estereótipos - Blog Barreiras Noticias || O Vlog do oeste da Bahia

Serra do Ramalho: filme premiado que estreia hoje busca romper estereótipos

Na década de 1970 os militares projetaram na Serra do Ramalho o que eles batizaram de 'cidade do futuro'. Localizado na região oeste do norte baiano, o município foi criado durante a ditadura militar para abrigar cerca de 73 mil pessoas que foram deslocadas dos seus lares para dar lugar à represa de Sobradinho.


Hoje o local serve de cenário para uma história de amor moderno. "A Cidade do Futuro", novo longa-metragem codirigido por Marília Hughes e Cláudio Marques, estreia em circuito comercial nesta quinta-feira, 26, em todo o Brasil.

Na trama, Milla, Igor e Gilmar vivem na Serra do Ramalho e decidem subverter o cenário de conformismo ainda presente no local em que seus pais decidiram morar, 30 anos antes.

Antes de se tornar o que vemos nas telonas, a história de "A Cidade do Futuro" passou por algumas mudanças no roteiro devido a uma situação inusitada: ficção e realidade se misturaram de uma forma indissociável.

Inicialmente a ideia era mostrar a cultura de uma cidade que, apesar de estar no meio do sertão, tem um comportamento que foge ao estereótipo do universo sertanejo. Mas tudo mudou quando Milla engravidou de Gilmar, que namora Igor. Isso aconteceu na vida real e a experiência foi levada para a ficção.

"Nos surpreendeu e nos pareceu muito mais incrível do que a gente estava propondo até aquele momento", lembra Marília Hughes.

Realidade e ficção

A sexualidade dos personagens não é o tema central e fio condutor do filme. Em vez disso, ele se concentra no advento da poligamia, na prática ou no desejo de relacionamentos íntimos em que os indivíduos possam ter mais de um parceiro, com o conhecimento e o consentimento de todos os parceiros.

Talvez Serra do Ramalho não seja o cenário ideal para um relacionamento que não seja o já habitual monogâmico. Principalmente por ser um local muito conservador e machista, a coragem de Milla, Igor e Gilmar é de se admirar.

Em nenhum momento o filme tenta objetificar e sexualizar os corpos de Milla, Gilmar e Igor. Em seus momentos íntimos não há desconforto seja num olhar para a realidade (elenco) ou ficção (personagens). Indo além, não há desconforto do outro lado da tela (público).

"Não há uma coisa voyeur. Não tem um fetiche. Não tem uma exploração da imagem, que acontece muito com o sertanejo. Tem uma admiração nossa por eles (elenco) que é muito genuína", conta Cláudio.

Constantemente caminhando na linha entre documentário e ficção, "A Cidade do Futuro" passa de memórias trágicas do passado e se transforma em novas perspectivas do futuro. Esses três protagonistas servem como uma nova perspectiva de futuro para o pequeno município de Serra do Ramalho e também para o resto do mundo.

Estereótipos

"Não envolvia família, crianças. Era muito mais firmar um relacionamento", lembra Marília. "Tinha essa relação dessa comunidade gay que tem lá em Serra do Ramalho, com todo esse machismo, homofobia, a família, o patriarcado. Que são signos muito fortes do sertanejo", complementa Cláudio.

Quando ele e Marília escreviam a história de "A Cidade do Futuro", as questões técnicas já estavam claras para eles. Câmera fixa, movimentos leves, forte intervenção do som, uma atuação nada hiper-realista. O que eles queriam era mostrar uma nova forma de retratar o sertanejo.

"Desde o início já tinha esse desejo de se contrapor de alguma maneira essas imagens já tão cristalizadas no imaginário do cinema", conta Cláudio. "O cinema, por bem ou por mal, com obras incríveis e outras nem tanto, de alguma maneira ajudou a perpetuar essas imagens, esse clichê", continua o diretor.

Cláudio ainda vai além e questiona a estrutura que o cinema brasileiro se encontra: "O cinema nacional se acostumou a ver o Nordeste com signos muito próprios, como a falta d'água, a pobreza, o resistente, o macho, o coitado. Alguns simbolismos e algumas formas muito próprias já acostumadas de se tratar o Nordeste e o sertanejo".

Festivais

"Nosso filme passou por muitos festivais e não só os LGBTs, porque às vezes tentam colocar o filme na caixinha, que a força do filme é não ser só para o público LGBT. É uma história de uma família, que hoje possui diversas configurações. É uma questão atual e não é só homoafetiva", complementa Marília.

A história de amor universal que é "A Cidade do Futuro" foi exibida pela primeira vez no V Olhar do Cinema (Curitiba), onde levou o prêmio de Melhor Filme pelo Público. De lá para cá o filme foi eleito o Melhor Filme Latino-Americano no Bafici (Buenos Aires), Melhor Filme Internacional no Newfest, em Nova Iorque, e, no total, o filme percorreu mais de 38 festivais no mundo inteiro, sendo exibido em mais de 14 países.

O filme conta com a distribuição da Espaço Filmes, em trabalho conjunto com a Vitrine Filmes. Foi premiado com R$ 300 mil no edital Irdeb/FSA, programa Brasil de Todas as Telas, de 2014, e tem o patrocínio Ancine – Agência Nacional do Cinema.

Barreiras Notícias / A Tarde
Serra do Ramalho: filme premiado que estreia hoje busca romper estereótipos Serra do Ramalho: filme premiado que estreia hoje busca romper estereótipos Revisado by Oeste Politica on quinta-feira, abril 26, 2018 Classificação: 5

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