Você pode estar sabotando o seu crescimento


Meninas, temos um assunto muito sério para falar hoje: crenças limitantes. De nada adianta eu dar dicas de como aumentar a receita, gastar com mais inteligência e investir o que economizou para conquistar seus sonhos se você mesma não acredita que é capaz de tomar as rédeas da sua vida financeira.

Alguma vez você já falou ou ouviu alguma mulher falar essas frases?

Na vida

•Passei da idade pra isso...
•Não tenho as qualificações necessárias...
•Tenho medo de falhar...
•É tarde demais...
•Não há nada que eu possa fazer...
•Sou assim e não consigo mudar...
•Não tenho tempo suficiente...
•É preciso sorte pra ter sucesso…
•Isso é impossível de fazer...

Em finanças

•Investir é muito complicado...
•Enriquecer é questão de sorte...
•Dinheiro é a raiz de todo mal...
•Investir é só pra rico...
•Dinheiro não traz felicidade...
•Ficou rico(a) porque fez algo de errado...
•Poupar pra quê? Posso não estar viva amanhã...

Bom, se a carapuça serviu, vale uma reflexão: você realmente acha isso porque tentou e não deu certo, ou seja, com conhecimento de causa, ou está só repetindo algo que ouviu em algum lugar ou que aprendeu que seria sempre assim?

Se você costuma falar ou pensar coisas do tipo sem nem refletir direito se é mesmo verdade, tenho uma boa notícia: quebrar essas crenças limitantes te coloca de volta ao jogo.

Desigualdade de renda

No Brasil, mulher estuda mais, trabalha mais, porém, ganha menos do que o homem. Quem mostra isso é o Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE) no estudo de Estatísticas de Gênero, divulgado em março de 2018:

    As mulheres trabalham, em média, 3 horas por semana a mais do que os homens, combinando trabalhos remunerados, afazeres domésticos e cuidados de pessoas. Por semana, a mulher se ocupa, em média, 54,4 horas, contra 51,4 dos homens. Dessas, 18 horas são para cuidados de pessoas ou afazeres domésticos, 73% a mais do que os homens (10,5 horas).
 
    As mulheres estudam mais do que os homens: na faixa dos 25 a 44 anos de idade, 21,5% das mulheres tinham completado a graduação, contra 15,6% dos homens. Vale aqui uma ressalva: os homens acabam entrando precocemente no mercado de trabalho, o que contribui para essa estatística.
 
    Mesmo trabalhando mais horas, e ainda contando com um nível educacional mais alto, a mulher ainda segue ganhando menos que os homens: em 2016 elas ainda recebiam o equivalente a 76,5% dos rendimentos dos homens. Na categoria de ocupação com nível superior completo ou maior, a diferença era ainda mais evidente: as mulheres recebiam 63,4% do rendimento dos homens em 2016.
    Ainda segundo o IBGE, apenas 37,8% dos cargos gerenciais eram ocupados por mulheres em 2016.

“Observamos o que se chama de teto de vidro, ou glass ceiling (em inglês). A mulher tem a escolarização necessária ao exercício da função, consegue enxergar até onde poderia ir na carreira, mas se depara com uma ‘barreira invisível’ que a impede de alcançar seu potencial máximo”, explicou a coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE, Barbara Cobo, na época da divulgação da pesquisa.

Esses números mostram que ainda há muitas barreiras para serem quebradas até que haja igualdade salarial. E esse não é um problema exclusivo do Brasil. No ranking mundial de igualdade de gênero, divulgado em dezembro passado pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil está em 95.º lugar, em uma lista de 149 países. Este foi o pior desempenho desde 2011, influenciado pela queda na participação das mulheres no mercado de trabalho e oportunidades de renda.

Em muitos lugares, as mulheres nem podem circular ou trabalhar livremente - segundo o Banco Mundial, as mulheres possuem 75% dos direitos econômicos concedidos aos homens.

Juntas, as que trabalham, deixam de ganhar, durante a vida inteira ativa, US$ 160 trilhões (a diferença apurada pelo Banco Mundial, veja aqui).

Nos EUA, o Institute for Women's Policy Research (Instituto para Pesquisa sobre Políticas Femininas) estima que os salários de homens e mulheres só se igualem a partir de 2059.

Sinto informar que, em parte, também somos culpadas por essa desigualdade.

Autossabotagem

É isso mesmo: parte da culpa por não conseguirmos melhores posições, por ganharmos menos é também nossa.

Digo isso porque não é raro ver mulheres que não se inscrevem em uma vaga de trabalho porque não se sentem 100% confortáveis com as habilidades exigidas na descrição. Ou que não concorrem àquela promoção porque "já sabe que não tem chance". Muitas de nós têm mais dificuldade também de negociar melhores salários e condições de trabalho.

Em outubro de 2015, a atriz hollywoodiana Jennifer Lawrence escancarou a diferença salarial entre os atores de um mesmo filme em um artigo publicado no periódico digital Lenny. E desabafou: “Fui péssima negociadora porque desisti cedo demais”, escreveu. “Eu estaria mentindo se dissesse que minha decisão não foi influenciada pelo desejo de que gostassem de mim, o que me levou a fechar o negócio sem ter brigado de verdade.”

Eu mesma já refleti diversas vezes sobre isso e cheguei a conclusão que sou uma má negociadora. Nada de errado nisso, mas, sabendo disso, tenho que prestar atenção e treinar melhor essa habilidade.

    "Além de ter a crença limitante de que não são capazes de entender como investir, ainda tem a crença de que precisam atender uma série de imposições de moda, beleza e consumo", diz Patricia Fonseca, coach e idealizadora do projeto Mulheres Inteligentes Enriquecem.

Já ouvi também muitos casos de mulheres que cobram menos do que mereciam pelo seu trabalho, seja por não acreditarem em seu valor ou por julgarem que os outros não topariam pagar. Também há casos em que elas nem cobram nada por vergonha ou gentileza mesmo.

Infelizmente, posturas assim acabam ajudando a aumentar o "gap", a diferença, de rendimento entre homens e mulheres.

Como eu disse, é parte do problema. Há muitos outros fatores que interferem nisso, mas que não dependem diretamente de nós. Esse depende. Depende de nós também nos valorizarmos mais e repensarmos se temos crenças limitantes (como as citadas lá em cima). Dessa forma, deixarmos o comodismo e os nossos preconceitos de lado para, então, parar, refletir e agir.

Não conheço nenhuma pesquisa que mostre o impacto das crenças limitantes na diferença de vida financeira entre homens e mulheres (se alguém souber, super me interesso). Mas não é difícil ver na prática como elas limitam nossas escolhas. E, em finanças, são elas, as escolhas, que nos fazem progredir ou regredir. Portanto, vale a reflexão.
Você pode estar sabotando o seu crescimento Você pode estar sabotando o seu crescimento Reviewed by CM on domingo, junho 30, 2019 Rating: 5