Gás de cozinha fracionado será mais caro, dizem especialistas

A proposta de venda fracionada de gás de cozinha da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pode resultar em um combustível mais caro por quilo do que o custo de um botijão padrão de 13 kg cheio, pois resultaria em perda de escala e eficiência, segundo especialistas do setor. A ANP admite a possibilidade de preço mais alto, mas afirma que o objetivo é dar mais flexibilidade ao consumidor na hora da compra. Para a proposta sair do papel, no entanto, seriam necessárias mudanças de infraestrutura e logística, além de serem analisadas questões regulatórias, o que poderia levar cerca de um ano.

— Há famílias que ficam sem gás no fim do mês e não têm dinheiro para comprar um botijão de R$ 70, mas podem ter R$ 20 para comprar uma parte e ter gás até o fim do mês. Queremos dar essa opção ao consumidor, mesmo que seja pagar mais caro — afirmou diretor-geral da ANP, Décio Oddone.

O preço ficaria mais caro porque reduziria a escala de venda das empresas. É o mesmo que acontece com o preço de um refrigerante: uma embalagem de dois litros e meio é mais econômica do que uma de 600ml. A proposta prevê que o valor total poderia ser reduzido, já que o consumidor seria o responsável pelo abastecimento, diminuindo o custo de distribuição e entrega.

— Uma embalagem fracionada é tudo, menos social, porque o produto sai mais caro. Além disso, não vemos uma demanda pelo produto. As pessoas querem o serviço de entrega — afirmou Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás).

Para o economista Adriano Pires, o foco do governo deveria ser baratear o custo para a população de baixa renda, que continuará a ter dificuldades em comprar gás.

— O governo deveria pensar em outras medidas mais efetivas se, de fato, quer dar mais acesso para as pessoas mais carentes. Isso deveria ser uma política social, não energética. Poderia se pensar em tarifas sociais. A energia elétrica tem tarifas diferenciadas. Além disso, a carga tributária ainda é alta, de 12% a 15% — disse Pires.

O setor questiona o objetivo de aumentar a competição no mercado, já que o consumidor pode pedir de forma gratuita e simples a portabilidade do fornecimento de gás. Segundo o Sindigás, são vendidos 35 milhões de botijões por mês, e destes, nove milhões são substituídos por marcas diferentes.
Gás de cozinha fracionado será mais caro, dizem especialistas Gás de cozinha fracionado será mais caro, dizem especialistas Reviewed by CM on quinta-feira, julho 25, 2019 Rating: 5

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