Sem poder visitar casas, Testemunhas de Jeová fazem pregação por telefone

Antes da pandemia, o eletrotécnico Ednei Fortunato de Lima, de 47 anos, estava acostumado a realizar seu trabalho de pregação presencialmente, ou seja, indo até a casa das pessoas, a exemplo do que faziam muitas testemunhas de Jeová pelo Brasil. Agora, é com o telefone e na mesa da própria casa que ele busca alcançar dezenas de pessoas para levar a elas mensagens de esperança.

Com as restrições impostas pela Covid-19, o trabalho antes feito de porta em porta passou a ser realizado de maneira remota. O eletrotécnico, morador de Mogi das Cruzes, é uma das testemunhas de Jeová que vivenciaram essa mudança nos últimos meses e explica o procedimento que vem adotando para, mesmo em um período de distanciamento social, continuar em contato com as pessoas.

“Não só eu, como praticamente as testemunhas de jeová no mundo inteiro estão empenhadas em fazer isso nesta época da pandemia. Nós escolhemos alguns números aleatórios, e onde vai cair nós não sabemos. Eu já falei com pessoas de Cajamar, São Bernardo do Campo, Diadema, Santo Amaro. É variado. O objetivo é sempre compartilhar com as pessoas, neste momento difícil, uma mensagem positiva, de esperança, pois as pessoas estão muito deprimidas. Esta quarentena está deixando as pessoas muito depressivas”, disse ele.

Além do telefone, Lima usa também o papel e a caneta para fazer anotações sobre o trabalho de pregação que realiza: a data em que conversou com a pessoa, o número do telefone e se ela atendeu ou não, por exemplo, além do nome, do lugar onde a pessoa mora e o assunto sobre o qual conversaram.

“E não só por causa da pandemia, mas as testemunhas de Jeová sempre compartilharam essa mensagem positiva com base na Bíblia. Não está sendo feito presencialmente por conta das restrições da quarentena, mas entendemos que isso não pode ser interrompido, porque essa pregação faz parte do modo de vida delas. Usamos o meio de comunicação por telefone porque entendemos que é um jeito de alcançar as pessoas”.

Mudanças por causa da Covid-19

A pandemia do novo coronavírus transformou a maneira como as testemunhas de Jeová sempre estiveram acostumadas a atuar: realizando a pregação de porta em porta.

“As testemunhas de Jeová pregam de casa em casa por uma ordem bíblica. Por exemplo, quando Jesus viu seus primeiros discípulos para pregar, ele orientou que eles deveriam ir de casa em casa. Após a morte de Jesus, lá no primeiro século, os cristãos continuaram a divulgar essa mensagem publicamente de casa em casa. Os cristãos continuavam, sem parar, ensinando e declarando as boas novas de casa em casa. Nós seguimos o mesmo exemplo desses cristãos lá no primeiro século e percebemos que a pregação de casa em casa é uma boa maneira de nós contatarmos as pessoas”, explicou André Vieira, porta-voz regional das testemunhas de Jeová.

André conta que o trabalho de pregação nas ruas foi suspenso em 14 de março, época em que teve início a quarentena no estado de São Paulo, com o objetivo de apoiar os esforços coletivos para conter a disseminação do vírus.

Segundo ele, as reuniões realizadas nos salões do reino foram canceladas, assim como assembleias e congressos feitos anualmente. De acordo com André, as reuniões passaram a ser realizadas por videoconferência.

“Nós apreciamos muito a vida e consideramos a proteção à saúde individual e coletiva um assunto de grande importância. Por isso, estamos tomando todos os cuidados para prevenir a disseminação da Covid-19. De forma geral, as pessoas estão muito acostumadas com nosso trabalho de casa em casa, com a evangelização nas ruas, e agora estão percebendo que a pregação continua sendo feita por meio do testemunho por telefone. O testemunho sempre existiu, mas não de uma forma tão enfática como agora. Como não podemos falar de casa em casa, cumprindo a ordem bíblica, nós realizamos o trabalho por meio do testemunho por telefone”.

“Os números são sequenciais e podem ser pegos na internet. De fato, alguns números não existem, mas, no geral, temos tido bons resultados em falar com as pessoas. Durante esse período, nós não deixamos de ajudar as pessoas a entender a situação que vivem, e nem de fornecer consolo. Em uma época em que muitos têm ficado tristes pela perda de pessoas queridas, de dificuldades financeiras e de incerteza em relação ao futuro, é possível desenvolver e demonstrar alegria”.

Recepção positiva

Ana Luíza Fernandes Alves, de 51 anos, é moradora de Mogi das Cruzes, e também vem realizando esse trabalho por telefone. Apesar da adaptação que as restrições impostas pela pandemia exigiram, ela conta que os resultados têm sido positivos.

“Foi um desafio, não só para mim, mas para muitos, porque estávamos acostumados a ir à casa das pessoas. Mas está sendo muito gratificante, porque a maioria atende, ouve e gosta da mensagem de consolo bíblico. As pessoas estão ansiosas por conta da pandemia, mas muitas, quando citamos o texto bíblico, pedem para repetir ou para esperar para que peguem a Bíblia delas, para que acompanhem a leitura. Quando pergunto se posso ligar novamente outro dia, as pessoas dizem que vão ficar esperando para ouvirem outras mensagens bíblicas”.

O porta-voz regional das testemunhas de Jeová André Vieira também avalia de maneira positiva a forma como as pessoas estão recebendo as ligações.

“O testemunho por telefone, no geral, tem tido bons resultados. Quando conseguimos falar com as pessoas, elas agradecem, inclusive. É verdade que às vezes tem um pouco de rejeição, que é natural, assim como acontece no serviço de casa em casa, mas, no geral, temos tido boas experiências com o testemunho por telefone”.

“Os resultados têm sido muito positivos. As pessoas têm ouvido, agradecido. Muitas pessoas têm desabafado e falado: nossa, você ligou em um momento que eu estava precisando. Tivemos casos em que a pessoa até se emocionou. Algumas delas estão infectadas com a Covid-19. E não é apenas esse problema específico. A mensagem que transmitimos para as pessoas é para a vida familiar, ou para outros problemas frequentes que as pessoas enfrentam, como o da morte, do desemprego. Temos assuntos que abrangem vários aspectos da vida das pessoas”, contou Ednei Fortunato de Lima. (G1)
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