Operação do MP cumpre mandados e busca prender líder religioso suspeito de abusos sexuais na Bahia

 

Segundo órgão, 'guru espiritual' foi denunciado por violação sexual mediante fraude e relação sexual com menor de 14 anos, que configura crime de estupro.


O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), deflagrada nesta quinta-feira (17), cumpre mandados de busca e apreensão e visa prender o líder religioso Jair Tércio Cunha Costa, de 63 anos, denunciado por violência de gênero. A ação, chamada "Fariseu", também cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele.


Segundo informações do MP-BA, o “guru espiritual” foi denunciado por violação sexual mediante fraude e relação sexual com menor de 14 anos, que configura o crime de estupro.


O líder religioso não foi localizado até a última atualização desta reportagem.


A operação tem a participação dos Grupos de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e de Defesa da Mulher e da População LGBT (Gedem) do MP, e da Secretaria de Segurança Pública e Polícia Civil, por meio do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom) e da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam).


A denúncia, apresentada nesta quinta pelo MP, se baseou em investigação que mostrou indícios de crimes de violência de gênero.


As denúncias de abusos sexual e psicológico contra o líder espiritual foram divulgadas pelo órgão no início de agosto. Jair Tércio é ex-grão-mestre de uma loja maçônica na Bahia e desenvolvedor de uma doutrina pedagógica que é estudada em retiros espirituais promovidos por ele toda semana. A defesa dele afirma que a relação com as mulheres que o denunciaram aconteceram de forma consensual.


De acordo com as apurações do Ministério Público, o investigado se autoproclamava um ser iluminado e se inseria em ambientes sociais, onde fazia um trabalho preliminar, rotulado como "despertar do ser humano”, para então, aproveitando-se da relação de confiança adquirida, submeter as vítimas a atos de violência de ordem sexual, moral e psicológica.



Denúncias


Em entrevista ao Programa Fantástico, da TV Globo, no dia 2 de agosto, a pedagoga Tatiana de Amorim Badaró, uma das vítimas, afirmou que buscou amparo emocional na doutrina após ficar grávida, ainda na adolescência. A pedagoga afirmou que o guru a ameaçava e dizia que ela sofreria retaliações espirituais se os casos fossem revelados.


Ao Programa Fantástico, a denunciante contou que a rotina de estupro começou quando ela foi convidada a preparar uma palestra na casa de Jair Tércio. Uma outra mulher, que preferiu não revelar a identidade, contou que o baiano tentou estuprá-la. Outra, que também não quis revelar a identidade, disse que não conseguiu se defender das ações.


A primeira mulher a denunciar Jair Tércio Cunha Costa disse à TV Bahia, no dia 3 de agosto, que descobriu que ela não era a única vítima após ter acesso ao celular do suspeito. A pedagoga Tatiana Amorim Badaró relatou que Jair Tércio mandava mensagens para outras mulheres, "exatamente iguais" as que enviava para ela.


Relação com menor de idade


Um boletim de ocorrência registrado em Salvador consta que a voz do homem em um telefonema analisado pelo MP é de Jair Tércio, e a outra voz é de uma menor de idade.


No diálogo, a adolescente pergunta ao homem se ele tirou a virgindade dela. Ele nega e diz: "Comigo não é relação, não. Comigo foi carinho, foi amor".


Na sequência, a adolescente diz que a mãe dela vai levá-la ao ginecologista e ele pede para que ela evitasse. "Você não vai. Esqueça isso, minha filha. Pelo amor de Deus, viu?", disse.


Uma adolescente de 16 anos disse que se sentia suja por não obedecer as "regras" ditadas pelo guru.


"Eu sempre pensava que por eu não querer fazer aquelas coisas, por não querer seguir aquelas regras, eu era suja e errada. Isso complica a minha vida de forma absurda, eu sempre tenho complexo de culpa por causa disso", conta.


O advogado de Jair Tércio afirma que o guru nega qualquer tipo de envolvimento em relação a menores ou estupro de vulneráveis.


Barreiras Notícias  /  G1 BA
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