João Inácio Ribeiro Roma Neto, 49 anos, pernambucano de Recife que adotou Salvador e o amigo (agora ex) ACM Neto, de quem foi chefe de gabinete, abraçou até catapultá-lo para a Câmara dos Deputados pelo partido Republicanos.

Se a estratégia de Neto foi botar Roma no Republicanos para plantar um braço amigo no partido que é controlado por membros da Igreja Universal, o tiro saiu pela culatra. Os dois romperam quando Roma aceitou ser ministro de Bolsonaro, de quem Neto sempre se distanciou. Obedeceu ao partido.

Ironia: Bolsonaro vai se filiar ao PL dia 30, ao que dizem, e as duas garantias são romper com João Dória em São Paulo e ACM Neto aqui. Roma também se filia e entra no jogo para 2022 como homem de Bolsonaro. Ou seja, Neto criou cobra para ser picado.

Federalização

A Bahia é governada por Rui Costa, do PT, que já é Lula naturalmente. Bolsonaro, que não tem nem Rui nem Neto, abre o caminho dele com Roma, que, nas pesquisas, aparece lá embaixo, com 4%, mas quando associado ao presidente, sobe para 15%.

Outra ironia: Neto tudo faz para evitar a federalização da peleja estadual, mas já fecha 2021 sendo o mais prejudicado por uma questão federalizada que impacta cá.

E o PL também fica com suas ironias próprias. Rompeu com Rui Costa para apoiar ACM Neto em Salvador ano passado pensando em 2022. Agora está em vias de romper com Neto.

Pra valer

Aliados de João Roma dizem que a candidatura dele a governador é decisão tomada, de martelo batido. É a alternativa que Bolsonaro achou de abrir caminho na Bahia, onde as lideranças principais, puxadas por Rui Costa e Jaques Wagner de um lado, e ACM Neto de outro, não o querem.

Um deles, do alto escalão, chegou a brincar (pelo menos assim entendemos):

— Se alguém desistir aí só pode ser Neto, por falta de padrinho federal.


Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político e colunista de A Tarde.