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  • Mais celular do que gente: Bahia ganha 2,5 milhões de novas linhas em dois anos ~ Blog Barreiras Noticias | Oeste Baiano no Geral

     

    Número estava em queda desde 2015, mas cenário mudou após pandemia; já são 15,3 milhões de números telefônicos em todo o estado


    O professor de português Romário Sena, 28 anos, passou a trabalhar em home office durante a pandemia e resolveu ter um novo número de celular somente para questões profissionais. Ele não foi o único. A quantidade de linhas de telefonia móvel na Bahia aumentou 2,5 milhões em junho de 2022, na comparação com junho de 2020. Depois de cinco anos em queda, a quantidade de usuários voltou a subir. São 15,3 milhões de linhas e 14,9 milhões de habitante do estado.

    “Ter um número de telefone apenas para o trabalho me proporcionou qualidade de vida, principalmente nesse recorte da pandemia, porque as exigências e cobranças eram instantâneas e quase ininterruptas em algum momento por conta da minha atividade profissional. Percebi que outros colegas fizeram o mesmo”, contou o professor, que mesmo após o retorno ao trabalho presencial continua com a estratégia.

    Os dois chips estão no mesmo aparelho de celular. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), desde 2015, o número de linhas de telefonia móvel estava em queda na Bahia. Em junho de 2020, pouco depois da pandemia começar, o estado tinha 12,8 milhões de usuários, o menor percentual dos últimos dez anos, mas em 2021 a curva voltou a subir e, este ano, alcançou o patamar de 2017, com 15,3 milhões.

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) estima que a Bahia tem 14,9 milhões de habitantes, ou seja, existem mais linhas de telefonia no estado do que pessoas. O coordenador do programa de mestrado da Unifacs, Joberto Martins, é especialista em redes de computação e explicou que a pandemia teve impacto direto sobre os resultados.

    “Quando a telefonia móvel começou, o funcionamento era para basicamente tráfico de voz. Hoje, ela tem por trás uma rede de computadores que opera para garantir os mais diversos serviços. Na pandemia as pessoas foram incentivadas a usarem aplicativos e serviços on-line, através dos dados móveis, além de terem linhas reservas para trabalho home office e outras atividades. Isso fez aumentar a demanda”, disse.

    O especialista afirmou que os dados comprovam também a existência de mais de uma linha por pessoa, já que parte da população afetada pela pandemia não tem poder aquisitivo para ter aparelhos. 

    Professora do curso de Engenharia Elétrica da UniFTC de Petrolina, Marília Gabriela Alves está fazendo doutorado em telecomunicações e apontou algumas observações.

    “Além da maior demanda do público, houve também investimentos por parte das operadoras. O avanço da tecnologia permitiu que as empresas chegassem em locais onde elas não chegavam. Ainda existem muitas regiões em que o sinal é deficiente, mas houve um avanço nos últimos anos, e isso levou pessoas que não tinham a telefonia a adquirir. Políticas públicas adotadas também foram importantes nesse sentido”.

    Ela explicou que o número de usuários estava caindo porque houve diminuição nos custos das chamadas entre diferentes operadoras, reduzindo a necessidade de cada pessoa ter mais de um chip. Em nota, a Anatel frisou que a mudança veio após uma regulamentação adotada pela agência e que a queda na atividade econômica foi outro fator que puxou os números para baixo.

    “Com a pandemia e com o aumento das atividades on-line, as pessoas sentiram a necessidade de ter mais linhas móveis para realizar as atividades do dia-a-dia, como aulas, teletrabalho, aplicativos governamentais e para a comunicação pessoal em tempos de isolamento por conta da covid”, diz a nota.

    Cenário

    De acordo com os especialistas, o crescimento registrado na Bahia foi percebido em todo o Brasil. Os baianos lideram o ranking entre os estados nordestinos, seguidos de Pernambuco (10,4 milhões), Ceará (9,6 mi) e Maranhão (6,1 mi). Na tabela nacional, ocupa a 4ª posição, atrás de São Paulo (77,6 mi), Minas Gerais (24,4 mi) e Rio de Janeiro (20,5 mi). 

    Ter um telefone extra também foi a solução adotada pela cabeleireira Janaina Silva, 35 anos, mas no caso dela o motivo foi a insegurança. “Comprei um celular novo por conta do trabalho, mas tenho medo de ser assaltada, então, quando tenho que pegar ônibus uso um aparelho mais baratinho, um mais antigo que já tenho tem uns cinco anos. O celular novo, que comprei tem menos de um ano, uso em casa, nas ocasiões em que saio de carro ou levo escondido quando preciso sair de ônibus ou a pé”, contou.

    Os dois aparelhos são pré-pagos. Esse sistema de serviço, por sinal, vem diminuindo nos últimos anos, mas ainda representa a maior fatia do mercado. Em 2019, portanto, antes da pandemia, 72,8% dos usuários preferiam esse modelo de pagamento. Em 2022, o público diminuiu para 65,3%. Na contramão, o sistema 4G tem avançado pelo estado, saltando de 59,2%, há três anos, para 82,4%.

    A banda larga fixa também está em crescimento nos últimos dez anos, mas em ritmo mais lento que o da telefonia móvel. Em 2012, havia 579 mil usuários desse serviço na Bahia. Em 2022, são 1,5 milhão. 

    Segundo a Anatel, atualmente, a Claro controla 39,4% do mercado de telefonia móvel baiano. A operadora assumiu a liderança no último ano, sendo seguida por Vivo (33,9%) e Tim (26,5%). Em fevereiro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda da Oi para a aliança formada por essas três empresas. O usuário que não quiser ficar com a operadora designada pode fazer a migração sem custo.

    A Anatel afirmou ainda que está estudando formas de ampliar a cobertura móvel em áreas rurais e que o edital do 5G determina obrigações de cobertura em todas as sedes de município, em 100% dos trechos asfaltados das rodovias federais e em mais de 7 mil localidades rurais. A tecnologia 5G chegou em Salvador em agosto, e vai avançar gradativamente para o interior da Bahia.

    Operadoras 

    Através de uma nota, a Vivo afirmou que, no ano passado, fez investimentos de R$ 8 bilhões no Brasil e que atualmente tem mais de 5,1 milhões de linhas móveis ativas na Bahia, sendo líder no mercado pós-pago. A empresa disse também que tem trabalhado para ampliar a tecnologia 5G.

    “No Nordeste, temos a maior cobertura móvel da região e estamos investindo constantemente na qualidade de rede e serviços na Bahia. Vale destacar que, em dezembro do ano passado, ampliamos em mais de 50% nossa cobertura móvel em Trancoso e inovamos ao “camuflar” as novas antenas de palmeiras para que não houvesse impacto na paisagem”, explica o texto.

    Já a TIM afirmou que está adotando novas soluções para aumentar o sinal de telefonia em áreas remotas ou mais afastadas e que até o final deste ano todos os municípios baianos terão cobertura de quarta geração, incluindo cidades onde ainda não há rede de telefonia. A empresa instalou antenas em mais de 100 distritos. Outros 66 distritos, em 53 localidades, serão contemplados até dezembro.

    “Atualmente, a tecnologia 4G alcança 351 dos 417 municípios baianos e, até o fim do ano, a nossa meta é consolidar a cobertura em 100% dos municípios do Estado. A TIM tem, hoje, na Bahia mais de 4 milhões de linhas ativas, o que corresponde a 26,47% de market share”, diz a nota.

    Na semana passada, em entrevista exclusiva ao CORREIO, o diretor regional da Claro na Bahia e em Sergipe, Marco Aurélio Alves, afirmou que, para a cobertura 5G em Salvador, estão sendo priorizadas as áreas com maior densidade populacional e maior acesso aos dados. “O usuário precisa primeiro ter equipamento 5G”, explicou o profissional.

    Ainda de acordo com Marco Aurélio, os aparelhos compatíveis com o 5G já representam 70% da venda da Claro no Brasil, com um total de 2 milhões de telefones. A Claro tem cerca de 20% de aparelhos na base que acessam o 5G.

    Confira dicas de como se proteger ao acessar a internet:

    • Senhas fortes - Escolha senhas com letras maiúsculas, minúsculas, números e símbolos. Mantenha de oito a nove caracteres e evite usar dados de identificação, como nome, data de nascimento ou telefone;
    • Use senhas diferentes – Nada de repetir os mesmos caracteres em e-mails, redes sociais e contas bancárias. Reutilizar senhas é arriscado, porque se alguém descobrir terá acesso a todos os seus dados e serviços on-line;
    • Ative a autenticação em dois fatores – Na prática, acessar o login terá duas etapas. Exemplo: a senha e mais um código que será enviado para o número de celular que você cadastrar;
    • Sair da conta – É importante lembrar de sair da conta quando estiver usando um computador público, como em uma biblioteca ou na casa de um amigo, ou o celular de outra pessoa;
    • Configuração – Cadastre um endereço para recuperação de senha, que pode ser um e-mail ou número de celular, para os casos em que esquecer os caracteres;
    • Redes sociais – Indique nas configurações quais dados são públicos e quais devem permanecer privados para proteger sua identidade e evitar o uso indevido dessas informações;
    • Crianças – Conheça as ferramentas e acompanhe as atividades das crianças na internet. Muitos sites e redes sociais oferecem mecanismos de restrição de conteúdo, por isso, é preciso pesquisar e conhecer;
    • Conteúdo indevido – Muitas plataformas têm canais de denúncia contra conteúdos e postagens agressivas, intimidadoras e criminosas. É importante denunciar os casos às autoridades e também à plataforma onde ele foi publicado;
    • Desconfie – Caso receba aviso de prêmios recebidos ou concursos ganhos dos quais você não participou, não clique e nem ofereça dados;
    • E-mail suspeitos – Quando receber e-mail solicitando dados, não clique no link enviado, entre em contato pelos canais oficiais da instituição e confirme a solicitação
    • Endereço – Antes de digitar dados pessoais em uma página, verifique se o URL começa com HTTPS e se há um ícone de cadeado fechado antes dele;
    • Aparelho infectado – Se você receber um aviso de que o computador ou celular está infectado e um pedido para fazer download de um aplicativo, desconfie. Faça download apenas em sites confiáveis;

    *Fonte: Safernet.

    Veja a evolução das linhas de telefonia móvel na Bahia nos últimos dez anos:

    2022 – 15,3 milhões

    2021 – 14,2 milhões

    2020 – 12,9 milhões

    2019 – 13,4 milhões

    2018 – 14,4 milhões

    2017 – 15,3 milhões

    2016 – 16,8 milhões

    2015 – 18,9 milhões

    2014 – 18,2 milhões

    2013 – 17,4 milhões

    2012 – 16,5 milhões

    *Fonte Anatel

    Estado lidera o ranking do Nordeste:

    BA – 15,3 milhões

    PE – 10,4 milhões

    CE – 9,6 milhões

    MA – 6,1 milhões

    PB – 4,6 milhões

    RN – 3,6 milhões

    AL – 3,2 milhões

    PI – 3,2 milhões

    SE – 2,3 milhões

    (Correio da Bahia)

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