Diferentes setores da economia dizem que o possível retorno do horário de verão em 2023 não deve fazer uma diferença muito grande para diminuir o consumo de energia. As associações se manifestaram em entrevista ao Estadão.

Bares e Restaurantes

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A Associação de Bares e Restaurantes de São Paulo é favorável à volta do horário de verão, já que para esse estabelecimento a medida traz uma resposta positiva, uma vez que há mais tempo de claridade, facilitando a maior circulação de pessoas, trazendo a ideia de segurança por mais tempo.

“A cidade fica mais alegre, iluminada, o que dá sensação de segurança, e permite maior circulação de pessoas. Assim, podemos incentivar a cultura do happy hour, que é menos valorizada aqui do que na Europa”, afirma Percival Maricato, diretor institucional da associação.

Já quando é abordado sobre economia de energia, Maricato explica que para esses estabelecimentos o impacto é mínimo. “Esses locais normalmente abrem às 18h, e, por isso, já possuem o gasto de energia com as geladeiras, ar-condicionado e outros equipamentos.”

Toda a economia de energia é importante na situação atual, principalmente em relação ao meio ambiente, mas de acordo com o diretor da instituição, é preciso avaliar, com pesquisas, os benefícios para a sociedade.

Comércio

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) não chegou a discutir sobre o assunto. Mas em entrevista concedida ao Estadão, Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto Gastão Vidigal da ACSP, o horário de verão dá um retorno mais positivo às atividades voltadas ao lazer, turismo, restaurantes e eventos em geral. Para demais atividades, o economista acredita que a mudança no horário não faz uma diferença muito grande.

“Se a cidade é turística, isso deve beneficiar mais, atrair mais pessoas. Já há uma boa parte do comércio que já abre até mais tarde, como os shoppings”, afirma. Solimeo diz ainda que o que pode aumentar são as compras por impulso. “É a compra que você faz quando está passando por uma loja, você não saiu para comprar. Isso pode acontecer no comércio de rua, que talvez se beneficie com a circulação. Essa atração deve acontecer apenas em ruas com muita movimentação e comércio.”

Indústria

Para Paulo Pedrosa, diretor da Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), o retorno do horário de verão não impacta na economia de energia das indústrias.

“A mudança do horário de verão, sob o ponto de vista industrial, não afeta muito o comportamento das grandes indústrias, que já mudam o consumo de energia ao longo do dia e organizam a produção para diminuir esse gasto no horário de ponta, uma vez que para elas a energia já é muito cara”, afirma Pedrosa.

Horário de verão

A última vez em que o horário de verão esteve em prática no Brasil foi entre outubro de 2018 e fevereiro de 2019. Recentemente, a equipe do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez uma enquete no Twitter questionando sobre a volta da medida.

A medida foi adotada no Brasil durante 34 anos consecutivos com o objetivo de reduzir o consumo de energia. Um decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro encerrou a medida. O governo argumentou que a mudança nos hábitos de consumo e avanços na tecnologia reduzem a relevância da economia de energia.

Na enquete proposta por Lula em seu Twitter, 66% das respostas foram favoráveis ao retorno do horário de verão; 34% das respostas foram contra. No entanto, é importante destacar que a enquete não tem metodologia científica.

Novos estudos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que a volta do horário de verão não trará benefícios para a operação do sistema elétrico nacional em 2022. (bahia.ba)

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