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  • Naiara Oliveira detalha momento de demissão da Record Bahia: ‘fiquei sem chão’ ~ Blog Barreiras Noticias | Modesto Repóter

    A repórter Naiara Oliveira, de 33 anos, detalhou em entrevista ao bahia.ba como foi o momento exato de sua demissão, da Record Bahia, que aconteceu na sexta-feira (7), próximo ao fim do seu expediente. A jornalista disse que ficou surpresa quando soube que a chefia de jornalismo local informou que recebeu uma ordem de São Paulo para desligá-la. O momento também gerou comoção entre seus colegas da emissora, que a aplaudiram de pé no momento de sua despedida. Vale ressaltar que a comunicadora chegou a ser contratada ao vivo pelo apresentador do Cidade Alerta, Luiz Bacci, em agosto de 2022, durante um link na capital baiana. Na ocasião, sua mãe e parte de seus familiares participaram do momento que ela soube que iria trabalhar em São Paulo.  

    Pega de surpresa 

    Recebi com muita surpresa, não esperava. A gente sabe que quem costuma ser demitido busca isso, faz alguma coisa, muda comportamento, e quem não quer, segue um perfil já esperado, que é o comprometimento, responsabilidade, entrega, e eu estava nesse ritmo, mostrando o meu trabalho, me entregando para todos os assuntos que chegavam até a mim. Tinha um compromisso com a notícia, com o povo. Sou uma repórter muito ligada as pessoas, ao povo, gostava bastante de fazer meu trabalho todos os dias e buscava melhorar todos os dias, crescer enquanto pessoa e profissional. 

    Mensagem para conversar com o gestor próximo ao final do expediente 

    Na sexta-feira, segui meu dia no mesmo ritmo de sempre.  Fui para o determinado local onde iria fazer minha entrada ao vivo, com Zé Eduardo, até que recebi uma mensagem dizendo que o meu gestor queria falar comigo em um determinado horário, que era mais ou menos uma hora antes do final da minha jornada. Não imaginei (que seria demitida) com a mensagem, porque o diretor de jornalismo, Leonardo Habib tem esse costume, faz parte da rotina de alinhamentos, feedbacks, ele é muito presente. Não desconfiei de nada, encarei como normal, porque faz parte da rotina do jornalista, e alinhamento com o seu chefe está tudo certo.  

    Momento do desligamento 

    Quando retornei para TV, fui à Redação, e antes de entrar na sala, abordei minha coordenadora, abracei e perguntei ‘qual foi o BO da vez?’ E aí, ela falou ‘não sei, não passou nada por mim, não’, então, falei ‘ah, tá bom’. Fui à sala dele. Disse ‘oi, chefe, você disse que queria falar comigo’, ele disse ‘é, quero falar com você, mas nossa conversa vai ser lá na sala de Lenira’, que é a gestora de RH. Aquela sala que a gente não quer entrar, porque ou vai ser uma advertência, ou vai ser uma suspensão, ou vai ser uma demissão. Aquela sala é terminada, ninguém quer entrar no RH para conversar. Quando ele falou isso, eu gelei, passou pela minha cabeça, ‘pronto que eu entrevistei alguém que não deveria ser entrevistado. Pronto que eu mostrei alguém que não deveria ser mostrado’. Passou mil coisas na minha cabeça. Porque as vezes a gente se passa na rua, a rua cega a gente. A gente se passa. E aí eu disse para ele, ‘fale, o que foi que eu fiz?’ Ele disse assim, ‘você não fez nada’. Eu falei, ‘e o que está acontecendo?’ Aí ele pegou, respirou fundo, olhou para mim e falou, ‘eu tentei, mas infelizmente, não consegui’. Aí eu peguei e falei, ‘como assim? O que você quer me dizer? Eu tô sendo demitida, é isso?’ Ele simplesmente balançou a cabeça e confirmou. Perdi o chão. Eu que praticamente entreguei a demissão. Falei, eu ‘estou demitida, é isso?’  ‘É, você está demitida’”. 

    Questionando o motivo do desligamento  

    Comecei a apertar ele e falei, não, meu amigo, você precisa me dizer o que aconteceu. Ainda cheguei a dizer, se for alguma coisa que eu errei aqui dentro, quero saber para não cometer o mesmo erro em outras empresas. Ele disse, ‘a, Nai, eles não falaram muita coisa, o pessoal de São Paulo, a diretoria, não falou muita coisa, só pediu, e infelizmente, é uma ordem de São Paulo.’ Na hora me deu um insight de várias coisas. Aí eu falei, ‘então, foi São Paulo que pediu minha demissão’. ‘Sim, eu queria deixar isso bem claro, que não teve referência local nenhuma. São Paulo pediu e infelizmente tentei aguentar, tentei reverter a situação, mas infelizmente, não rolou e você está sendo desligada’. Aí eu falei, ‘tudo bem’. Aí saímos da redação, fui para o RH.   

    Despedida dos colegas, aplausos e lágrimas 

    Todo mundo ficou muito abalado porque ninguém esperava isso. E aí eu passando mal, me tremendo bastante, chorando muito. Assinei minha demissão e recebi as orientações dos próximos trâmites e tudo mais. Inclusive hoje fiz o exame demissional já. Então já fiz toda a parte burocrática. E eu fiquei assim, e foi aí que a ficha foi caindo. O pessoal foi entendendo o que tinha acontecido, me chamando, chorando comigo. E quando voltei para a redação, para poder me despedir do pessoal, fiz minha caminhada limpa! Eles levantaram e me aplaudiram. Aquilo ali eu tive a certeza de que não era sobre mim o que tinha acontecido, não era sobre nada porque quem tem uma boa caminhada jamais vai sair aplaudido de uma empresa. 

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