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  •  Até 2034, as tradicionais obturações de mercúrio deixarão de fazer parte da prática odontológica em todo o mundo. A decisão foi anunciada na sexta-feira (8) durante a sexta conferência da Convenção de Minamata sobre Mercúrio, realizada em Genebra. O acordo internacional, firmado por mais de 150 países, estabelece um cronograma para a eliminação gradual das chamadas amálgamas dentárias, compostos que contêm cerca de 50% de mercúrio e são usados há mais de 175 anos na restauração de dentes.

    A medida visa reduzir a exposição humana e ambiental ao mercúrio, um dos dez produtos químicos de maior preocupação para a saúde pública segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que o classifica como tóxico e potencialmente prejudicial ao sistema nervoso, imunológico e cardiovascular, informa o site ScienceAlert.
    Acordo internacional e pressão africana por prazos mais rígidos

    Embora o tratado já exigisse que os países signatários tomassem medidas para limitar o uso da amálgama, um grupo de países africanos pressionou por uma data definitiva. Eles propuseram que a produção, importação e exportação fossem proibidas a partir de 2030. No entanto, alguns países, como Irã, Índia e Reino Unido, consideraram esse prazo prematuro. Após negociações, chegou-se ao consenso de que o uso será encerrado até 2034.

    A representante da União Europeia classificou o acordo como um “marco importante para tornar o mercúrio coisa do passado”, destacando os benefícios duradouros para a saúde pública e para o meio ambiente.

    Para Monika Stankiewicz, secretária-executiva da Convenção de Minamata, o acordo é resultado de cooperação internacional e diálogo: “Abrimos a porta para um novo capítulo na história do mercúrio. A poluição por mercúrio é uma praga, mas podemos superá-la com entendimento mútuo”.
    Materiais alternativos

    A decisão também tem repercussões práticas: países que ainda utilizam amplamente a amálgama precisarão readequar protocolos, investir em capacitação e ampliar o acesso a materiais alternativos, como resinas compostas e cerâmicas —, mais seguros para pacientes e profissionais da odontologia.

    A Convenção de Minamata sobre Mercúrio foi adotada em 2013 e entrou em vigor em 2017. Seu nome homenageia a cidade japonesa de Minamata, que nos anos 1950 foi palco de um dos maiores desastres ambientais causados por mercúrio, contaminando milhares de pessoas.

    Desde então, o tratado vem impulsionando políticas públicas de redução de uso do metal em diversas áreas, incluindo mineração, indústria e saúde. O novo passo dado em Genebra representa, segundo os organizadores, uma “vitória da ciência” e um avanço significativo na construção de um futuro mais seguro.


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