• Girl in a jacket

  •  A Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada desta quarta-feira (10), o Projeto de Lei nº 2.162/23, conhecido como PL da Dosimetria. A proposta reduz penas e altera regras de progressão de regime para condenados pelos crimes relacionados à tentativa de golpe e aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. O texto recebeu 291 votos favoráveis e 148 contrários.
    A medida pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a trama golpista. Segundo estimativas apresentadas pelo relator, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), a pena em regime fechado poderia cair para aproximadamente 2 anos e 4 meses. O político está preso desde 22 de novembro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

    O projeto segue agora para análise do Senado. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que pretende levar o tema ao plenário ainda em 2025.


    Mudanças previstas no texto

    O PL da Dosimetria altera a forma de cálculo das penas e da progressão de regime. A principal mudança reduz de um quarto para um sexto o tempo mínimo de cumprimento da pena necessário para que o condenado avance para regimes mais brandos. A regra, no entanto, não contempla crimes hediondos ou casos de reincidência.

    O substitutivo aprovado também impede a soma de penas aplicadas por crimes contra o Estado Democrático de Direito, como tentativa de golpe ou abolição violenta do regime constitucional. A mudança pode diminuir significativamente o total de anos impostos aos condenados, incluindo Bolsonaro.

    Outra alteração estabelece que crimes cometidos em “contexto de multidão” — como os ataques de 8 de janeiro — podem ter a pena reduzida entre um terço e dois terços, desde que o réu não tenha financiado ou liderado os atos. A regra, porém, não se aplicaria ao ex-presidente, apontado pelo STF como líder da tentativa de golpe.


    Repercussão e cenário político

    A aprovação representa um avanço parcial para a oposição ligada ao bolsonarismo, que vinha defendendo anistia ampla aos condenados, proposta sem apoio suficiente no Congresso. Sem ambiente político para aprovar anistia, parlamentares da oposição recuaram e passaram a apoiar a revisão das penas.

    Durante as negociações, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciado como pré-candidato à Presidência em 2026, chegou a sugerir abrir mão da própria candidatura para viabilizar o acordo.

    Deputados governistas tentaram retirar o projeto da pauta, mas não obtiveram votos suficientes. Tentativas de adiamento também foram rejeitadas.


    Sessão marcada por confusão

    A votação ocorreu em meio a um episódio tenso no plenário. O deputado Glauber Braga (PSol-RJ) foi retirado à força da Mesa Diretora após afirmar que permaneceria no local em protesto contra a votação marcada para esta quarta-feira (10) sobre a cassação de seu mandato. A Polícia Legislativa foi acionada, e o parlamentar acabou arrastado para fora.

    Durante o tumulto, as transmissões oficiais da Câmara foram suspensas, e o acesso de servidores e jornalistas ao plenário foi bloqueado temporariamente. Braga responde a processo por ter agredido a chutes um militante do MBL em 2024 e acusa o ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), de articular sua cassação.

    Publicação em destaque

    TELECOM PROVIDER - INTERNET CAMPEÃ