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    O município de Barreiras registrou, em 2025, o maior volume de casos de violência doméstica de todo o estado da Bahia. O dado alarmante foi o ponto central da Tribuna Popular “Construindo Espaços de Valorização Feminina”, realizada na Câmara Municipal nesta quarta-feira (25).

    No evento, a delegada da DEAM, Dra. Marília Rosa Matos, e o promotor de Justiça, Dr. Rodolfo Fontenele, apresentaram estatísticas que evidenciam a escalada da violência contra a mulher no município, além de discutirem a nova legislação federal que endurece as penas para o chamado vicaricídio.

    Escalada da violência preocupa autoridades

    De acordo com a delegada, os números de feminicídios na regional em 2025 já igualam o total registrado em todo o biênio anterior. Ela destacou a importância de reconhecer a gravidade do problema para combatê-lo:

    “Para combater o mal, nós precisamos primeiro reconhecer que ele existe. Nossa sociedade está permeada por essa violência gratuita, onde a mulher não tem o direito de exercer sua liberdade”, afirmou.

    Já o promotor Rodolfo Fontenele informou que a 5ª Promotoria de Justiça de Barreiras tornou-se a mais demandada da Bahia no último ano, superando inclusive grandes centros urbanos.

    “Aquela frase de que ‘em briga de marido e mulher ninguém mete a colher’ não existe mais. Mete-se a colher, sim, e o agressor é preso e responsabilizado”, declarou.

    Estatísticas da violência doméstica em Barreiras (2025)

    Descrição do dadoQuantidade / IndicadorFonte
    Volume de casos (5ª Promotoria)1º lugar no Estado da BahiaMinistério Público
    Feminicídios na regional (13 cidades)5 ocorrênciasPolícia Civil (DEAM)
    Feminicídios em Barreiras2 ocorrênciasPolícia Civil (DEAM)
    Pedidos de medidas protetivas (MPU)650 solicitaçõesPolícia Civil (DEAM)
    Medidas protetivas deferidas642 (98% de eficácia)Judiciário / DEAM
    Ocorrências de ameaça415 casos registradosPolícia Civil (DEAM)
    Casos de perseguição (stalking)48 casos registradosPolícia Civil (DEAM)
    Crimes contra a honra (injúria/difamação)144 casos registradosPolícia Civil (DEAM)

    Nova lei torna vicaricídio crime hediondo
    A sessão ocorreu simultaneamente à aprovação, pelo Senado Federal, do projeto que classifica o vicaricídio como crime hediondo.

    A nova legislação estabelece penas de 20 a 40 anos de prisão para quem mata filhos ou dependentes com o objetivo de punir, atingir ou controlar a mulher. A medida altera o Código Penal e a Lei Maria da Penha, ampliando a resposta do Estado a essa forma extrema de violência psicológica.

    Entenda: o que é vicaricídio?

    O vicaricídio, também chamado de violência vicária, ocorre quando o agressor atinge a mulher por meio de terceiros.

    Em vez de praticar a violência diretamente contra a parceira ou ex-parceira, o criminoso escolhe vítimas com forte vínculo afetivo com ela – geralmente os próprios filhos do casal.

    O termo “vicário” refere-se à ideia de substituição: o agressor utiliza uma “vítima substituta” para provocar o maior sofrimento emocional possível. Especialistas apontam que, em muitos casos, o autor do crime ainda tenta responsabilizar a mãe pela tragédia, buscando manter controle psicológico mesmo após o ato.

    Com a nova lei, essa prática passa a figurar entre os crimes com maior rigor punitivo no ordenamento jurídico brasileiro.

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