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  •  As mudanças climáticas, novas exigências do mercado e a busca por hábitos mais sustentáveis têm acelerado o desenvolvimento de alternativas à carne tradicional. Nesse cenário, a chamada “carne do futuro”, feita de vegetais, e a carne cultivada em laboratório ganham espaço como soluções para atender à crescente demanda global por alimentos.

    Enquanto a carne vegetal tenta reproduzir sabor e textura a partir de plantas, a carne cultivada é produzida com células animais, replicadas em ambiente controlado. O resultado é um produto semelhante ao convencional no nível celular, mas sem a necessidade de abate.

    Especialistas apontam que essa tecnologia pode reduzir custos logísticos e impactos ambientais, já que dispensa criação em larga escala, uso extensivo de terras e etapas como transporte e abate de animais.

    Dados da consultoria Market Growth Reports indicam que o mercado global de carne cultivada deve saltar de US$ 198,4 milhões em 2025 para US$ 827,9 milhões até 2034, com crescimento médio anual de 17,2%. Já o Good Food Institute aponta aumento no número de empresas do setor, que passou de 166 para 174 entre 2022 e 2024, com atuação em 26 países.

    Grandes players já investem na área, como a JBS, que iniciou centros de produção na Europa e no Brasil, além da Embrapa Suínos e Aves, que desenvolve estudos com carne de frango cultivada.
    Bahia aposta em carne “impressa” em 3D

    Na Bahia, um projeto liderado pelo Senai Cimatec vem chamando atenção. Trata-se do CELLMEAT 3D, iniciativa iniciada em 2023 que utiliza bioimpressão para criar carne a partir de células bovinas.

    A tecnologia funciona a partir da coleta de células do animal ainda vivo, que são cultivadas em laboratório até atingir volume suficiente. Em seguida, essas células são “impressas” com o uso de biotintas — compostos comestíveis que ajudam a formar a estrutura da carne, incluindo fibras musculares e gordura.

    A pesquisadora Keina Dourado explica que o processo é semelhante ao de uma impressora comum, mas com materiais biológicos. O objetivo inicial é produzir itens como hambúrgueres, avançando posteriormente para cortes mais complexos.

    Apesar do potencial, o projeto ainda está em fase inicial e sem previsão de produção em larga escala.
    Segurança alimentar e desafios

    A carne cultivada ainda divide opiniões entre especialistas. Há questionamentos sobre a ausência de sangue no processo, o que pode impactar características como sabor, cor e composição nutricional.

    Por outro lado, pesquisadores defendem que o ambiente controlado reduz riscos de contaminação por vírus, bactérias e parasitas, comuns na carne tradicional. Além disso, a tecnologia permite ajustar níveis de gordura e até enriquecer o alimento com vitaminas.
    Alto custo ainda é obstáculo

    O principal desafio para a expansão da carne cultivada é o custo de produção. A tecnologia envolve processos avançados e insumos ainda caros, o que limita a escala.

    Atualmente, apenas países como Estados Unidos e Singapura autorizam a comercialização desse tipo de produto, sendo o país asiático pioneiro na liberação.

    No Brasil, as pesquisas avançam com expectativa de tornar a produção mais acessível no futuro. O projeto baiano segue focado em reduzir custos e evoluir para um protótipo viável.

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