Em mensagem de Páscoa, Papa pede menos sanções e perdão a dívidas de países pobres

O papa Francisco defendeu neste domingo de Páscoa o afrouxamento de todas as sanções internacionais para permitir que países mais pobres combatam a pandemia do novo coronavírus, que já contaminou cerca de 1,8 milhão de pessoas em todo o mundo e deixou mais de 100 mil mortos.

Em sua mensagem “Urbi et Orbi” (“À cidade de Roma e ao mundo”), que acontece sempre nos dias de Páscoa e no Natal, o líder da Igreja Católica fez coro aos pedidos de nações como Cuba, Irã e Venezuela, que são alvos de sanções promovidas pelos Estados Unidos.

“Em consideração das circunstâncias, que se afrouxem as sanções internacionais que inibem a possibilidade de países que são seus destinatários de fornecer apoio adequado aos próprios cidadãos”, disse Francisco, em uma mensagem que se concentrou do início ao fim na pandemia.

Em sua bênção, Jorge Bergoglio também cobrou a redução ou o perdão das dívidas de países pobres, para permitir que todos os Estados tenham condições de “fazer frente às maiores necessidades do momento”. “Não é o tempo do egoísmo, porque esse desafio une a todos e não faz distinções entre pessoas”, acrescentou.

EUROPA:

Francisco também dedicou uma mensagem à União Europeia, que está dividida a respeito dos instrumentos financeiros necessários para combater a pandemia, e se alinhou aos pedidos dos Estados-membros do sul, como Itália, Portugal e Grécia.

Segundo o Papa, a UE tem diante de si um “desafio histórico”, do qual dependerá não apenas seu futuro, mas “de todo mundo”.

“Não se perca a ocasião de dar novas provas de solidariedade, inclusive recorrendo a soluções alternativas. A outra opção é apenas o egoísmo dos interesses particulares e a tentação de um retorno ao passado, com o risco de submeter a dura prova a convivência pacífica e o desenvolvimento das próximas gerações.”

Os países do sul da Europa tentam emplacar uma proposta para criar títulos de dívida comum para os países da zona do euro, os chamados “eurobonds” ou “coronabonds”, de forma a conseguir financiamento mais barato em um momento de crise.

As nações do norte, principalmente Países Baixos e Alemanha, rechaçam a ideia e defendem que os Estados-membros mais necessitados peguem empréstimos de um fundo europeu criado para situações emergenciais.

O termo “soluções alternativas”, empregado por Francisco em sua bênção, tem sido um dos principais lemas do governo italiano para apoiar os “eurobonds” na União Europeia.

“É urgente que todos se reconheçam como parte de uma única família e se apoiem”, acrescentou o Pontífice.

CRISES:

O Papa aproveitou a ocasião para defender novamente um cessar-fogo global e imediato e pedir que o dinheiro gasto na fabricação e no comércio de armas seja revertido para tratar pessoas e salvar vidas.

Francisco cobrou o fim dos conflitos na “amada Síria”, no Iêmen e na Ucrânia, bem como das tensões no Iraque e no Líbano, além de instar palestinos e israelenses a retomarem o diálogo.

Também disse que a pandemia não pode encobrir outras crises pelo mundo, como emergências humanitárias na África e na Ásia e os milhões de refugiados e deslocados por guerras, secas e fome.

“Muitos dos quais são crianças que vivem em condições insuportáveis, especialmente na Líbia e na fronteira entre Grécia e Turquia”, afirmou Bergoglio. Além disso, cobrou “soluções concretas e imediatas” para a crise na Venezuela.

“Indiferença, egoísmo, divisão e esquecimento não são palavras que queremos ouvir neste tempo. Queremos bani-las de todos os tempos”, salientou.

UOL
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