O O problema se repete todo ano, na época da safra, nas estradas estaduais do Oeste baiano, onde está concentrada a maior parte da produção de grãos e fibras da Bahia. Estradas esburacadas ou completamente desaparecidas, desvios perigosos, fretes caros e caminhões com custo excessivo de combustível e consertos mecânicos.
O Anel da Soja e a ligação deste com o Tocantins estão completamente destruídos. “A parte de logística está atrasada em 15 anos. A degradação das estradas estaduais e das vicinais municipais vem acontecendo de forma bem acelerada, pois o trânsito aumentou junto com a produção. Temos mais caminhões circulando em nossa região e, essa situação nos deixa um pouco tensos e preocupados”, afirma o presidente do Sindicato Rural de Eduardo Magalhães, Cícero José Teixeira.

Segundo o agricultor Afonso Egídio Salvetti, as rodovias federais em torno da região estão boas, mas as estaduais estão realmente precárias. “O momento da colheita da safra de soja 2020/2021 está chegando e nós estamos preocupados com o escoamento. É uma vergonha, com tantos impostos arrecadados, fundamentais para o desenvolvimento do estado, passarmos por esse descaso logístico”, diz Salvetti.A rodovia estadual BA-460, que liga o município de Luís Eduardo Magalhães ao estado do Tocantins, é um dos exemplos desse descaso que causa indignação. Este importante corredor de escoamento de grande parte da produção do oeste da Bahia está praticamente intransitável por falta de manutenção.

Caminhoneiros querem desistir 
Nos últimos dez quilômetros, antes da divisa, a situação é mais crítica e a malha rodoviária está bastante castigada. Os buracos e atoleiros provocam transtornos, lentidão e prejuízos.

“Você gasta aqui uma hora, uma hora e meia para fazer sete quilômetros. Nunca mudou, toda vida é desse jeito aqui. Quando chove é pior ainda, uma vergonha. Frete para cá até desanima. Estamos até procurando outros lugares para sair desta buraqueira aqui”, diz o caminhoneiro Francisco Rios da Silva Neto.
Outro caminhoneiro relata que passar pela estrada é garantia de ter que procurar um mecânico logo depois. “Passar por aqui dá desânimo, pois é um buraco em cima do outro. Cada vez que vem, tem que ir na oficina, quebra mola, rolamento, estoura e corta pneus, corta pneu. Caminhão carregado, 20 centímetros que ele deslocou, tomba. A estrada está cada vez pior, quase tem que andar só por fora, por dentro não tem mais condições”, diz o caminhoneiro Irineu Masiero.

“Quem passa por aqui todos os dias sofre, tem muitos acidentes. Já vi muitos caminhões saindo da estrada, não está bom ou seguro isso aqui”, diz o caminhoneiro Cristiano de Quadros.

Produtores cobram governo
Quem tem propriedade às margens da rodovia também são penalizados e sentem no bolso as consequências do descaso. “É um sofrimento, tem que usar o dobro de caminhão em um trecho de 8 quilômetros que em qualquer outro lugar se faria em 15 minutos. Mas só se anda a 8 e 10. Já teve muitos caminhões tombados, o cara tenta desviar das poças d’água, entra no desvio nos meios de lavouras e tomba. Estamos esperando o governo vir recuperar essa BA-460”, afirma o produtor de soja Leo Paulo Ranzi Fontana.

“Acabou o asfalto e virou cascalho. O custo extra vem direto para o nosso bolso e o sentimento é de fraqueza, impotência e tristeza, isso desanima”, afirma o agricultor Renato Joner.

Empresários engrossam coro 
Dono de uma corretora de compra e venda de grãos, Janoel Fernandes, também reforça o manifesto para melhoria da estrada. Além de perder cargas inteiras por acidentes, o empresário teve um aumento significativo nos custos por causa da falta de manutenção da estrada.

“Tenho um prejuízo de R$ 50 mil por mês com aumento de custo. Isso vai passando pela cadeia em geral. Vem do produtor, que vem para mim, que vai para o consumidor final. Está sendo difícil fechar negócios neste trecho por causa do problema. A logística está ficando muito cara, esse pedaço entre Bahia e Tocantins é uma região esquecida mesmo pelo poder público, você vê muito esforço dos agricultores em produzir bem, te oferecer produtos com qualidade, mas quando se pensa em logística, ela não existe”, afirma o empresário.
Entidades pedem providências
Segundo o presidente do Sindicato Rural de LEM, há dois anos os produtores locais deixaram de colocar o próprio dinheiro na manutenção da estrada, pois perceberam que fariam isso para sempre.

“No início, às vezes, os produtores faziam a manutenção dela. Levavam materiais e cascalho para poder ter condições de tráfego. Mas pararam e, hoje ela está nestas condições. Praticamente intransitável. Se a gente não tiver uma providência urgente, ela será interditada, porque não tem mais condições de circular caminhão carregado, principalmente agora no início da safra”, afirma Teixeira.


Para o presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz, uma região importantíssima para o Brasil deveria ter uma atenção especial no Governo Federal.
“Mas essa é uma região que nós vamos ter foco nelas, que as nossas consultorias vão trabalhar aqui para levar ao Governo Federal e estadual onde são os gargalos e onde é necessário fazer pontes, rodovias novas, pavimentação para que dê a essa região a oportunidade de crescimento. Pois, precisamos dessa infraestrutura para que dê competitividade a estes produtores aqui da região oeste”, afirma ele.

Manutenção prevista - Após ser procurada pela reportagem, a Superintendência de Planejamento em Logística de Transportes da Bahia enviou a seguinte nota:

“A Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra) está concluindo o projeto de restauração dos 56 quilômetros da BA-460, do entroncamento da BR-242 até a divisa com o Tocantins, passando por Placas (BA-459). A previsão é de que a licitação seja publicada em março. Enquanto isso, serão programados serviços de manutenção no trecho.” 
 
Fonte:Canal Rural com Jornal O EXPRESSO