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“É uma bomba atômica”: Cientistas alertam que catástrofe da Covid-19 no Brasil pode ser uma ameaça mundial ~ Blog Barreiras Noticias | Oeste Baiano no Geral

Cientistas de todo o mundo estão preocupados com o surto descontrolado de coronavírus no Brasil e alertam que ele pode ameaçar a luta global para acabar com a pandemia. A variante P1 – mais infecciosa e resistente às vacinas – se tornou dominante na maioria dos estados do país e não há sinais de que esteja diminuindo.

“Esta informação é uma bomba atômica”, disse o Dr. Roberto Kraenkel, matemático biológico do Observatório Covid-19 BR, em entrevista ao jornal Washington Post.

“Estou surpreso com os níveis [de variantes] encontrados. A mídia não está entendendo o que isso significa. Todas as variantes preocupantes são mais transmissíveis e isso significa uma fase acelerada da epidemia. Um desastre”.

A variante brasileira já foi identificada como a causa de 15 casos em 9 estados dos EUA. Felizmente, o aumento das taxas de vacinação e a queda de infecções diárias nos EUA estão ajudando a conter seu surto – mas esse não é o caso no Brasil, onde as UTIs estão oscilando no limite de sua capacidade total enquanto o lançamento caótico da vacina luta para ganhar terreno.

“Nenhum país estará seguro se nem todos os países controlarem seus surtos”, disse a Dra. Denise Garrett, vice-presidente de epidemiologia aplicada do Sabin Vaccine Institute, de Washington, ao jornal britânico Daily Mail.

“Podemos vacinar o quanto quisermos nos EUA e alcançar a imunidade coletiva, mas enquanto tivermos surtos incontroláveis em outros países, as fronteiras ainda estarão abertas. Em países como o Brasil, onde não há restrições e o vírus está solto, é realmente um terreno fértil para variantes”, salientou.
Todos os vírus sofrem mutações o tempo todo

Quanto mais os vírus se espalham e fazem cópias de si mesmos, mais sofrem mutações – e mais significativas essas mutações tendem a se tornar. O SARS-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19, na verdade demorou a começar a sofrer mutações significativas.

Mas as variantes começaram a surgir em todo o mundo no final de 2020, à medida que o aumento de casos na maioria dos países deu ao vírus amplas oportunidades de sofrer mutação.

E a maneira como isso se desenrolou no Brasil estava particularmente propício para variantes perigosas. O país já havia passado por ondas iniciais terríveis. Um estudo de anticorpos sugeriu que cerca de 76% da cidade de Manaus foi infectada em outubro, após a primeira onda da pandemia. Isso deveria ter dado a três quartos da cidade amazônica imunidade natural à reinfecção – a tão falada “imunidade de rebanho”. Mas, isso não aconteceu.

Manaus foi atingida por uma segunda onda de infecções em janeiro. A devastação atingiu um novo pico, com 100 pessoas morrendo por dia na cidade que tem pouco mais de 2 milhões de habitantes. A variante foi descoberta em Manaus em dezembro e provavelmente alimentou o alto índice de infecções e, pior ainda, as reinfecções observadas na cidade.

A “pressão imunológica” incentiva esse tipo de mutação

Quando os vírus são confrontados pelo sistema imune que os impedem de sequestrar a maquinaria celular para se copiarem, apenas as cepas que apresentam mutações que os tornam menos afetados pelas vacinas sobrevivem. E então elas ganham a batalha e começam a se multiplicar.

“Esta nova cepa está escapando da imunidade e começa tudo de novo e agora é a linhagem predominante no Brasil”, disse a Dra. Garrett. Sobre os casos da variante P1 nos EUA, afirmou: “Eles são aparentemente baixos, mas não se engane, esta variante é mais transmissível e é provavelmente mais difundida do que os testes capturam”.

A boa notícia, observa Garrett, é que as vacinas parecem funcionar contra a variante brasileira, ao contrário dos alertas iniciais. A imunidade natural de infecção anterior parece menos resiliente contra o desafio da variante.

Com apenas 10% de totalmente vacinados nos EUA, dezenas de milhões de norte-americanos, incluindo os 29 milhões que já tiveram Covid-19, ainda podem ser vulneráveis à forma P1 da variante brasileira.

“É apenas uma questão de tempo se não houver medidas de controle. Aqui [nos EUA] a boa notícia é que estamos vacinando, e estamos vacinando rápido, porque precisamos vacinar o máximo de pessoas o mais rápido possível para tentar controlar isso e, até agora, parece que essas variantes não estão escapando da vacina, pelo menos para doenças graves e hospitalizações”, disse a Dra. Garrett.

“Mas não há garantia. O vírus está evoluindo rápido e se continuar a evoluir em outros países, eventualmente pode estar aqui nos EUA. O que acontece em outros países tem um efeito real em outros países”, acrescentou demonstrando que, de fato, o planeta está conectado e o combate ao vírus precisa ser global.

Este é o argumento mais forte para a distribuição igualitária de vacinas em todo o mundo.

“Eu entendo o nacionalismo das vacinas – os países querem vacinar suas populações primeiro – mas se não houver uma distribuição equitativa, sempre haverá uma ameaça. Países onde o surto ainda esteja ocorrendo, sempre será uma ameaça para o mundo”, finalizou a Dra. Garrett.


Fonte(s): Daily Mail Imagens: Reprodução / Shutterstock