“Ele é quem carrega o governo. Quem manda no governo hoje é o Lira. Não é o Bolsonaro, é o Lira”. A afirmação é do deputado Delegado Waldir (PSL). Ele garantiu que o controle dos investimentos do governo federal “saiu dos ministérios” e “ficou concentrado” nas mãos do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD).

Em entrevista ao The Intercept Brasil, Waldir Soares de Oliveira (PSL), Delegado Waldir, ainda revelou a promessa de R$ 10 milhões em emendas do orçamento secreto para cada deputado que votasse em Lira. É o Bolsolão, o esquema de compra de votos do governo Bolsonaro.

Waldir contou ao The Intercept detalhes do esquema do “orçamento secreto” de Jair Bolsonaro, ou seja, a compra de votos por intermédio de emendas do relator, que totaliza o montante de R$ 18,5 bilhões em gastos em 2021, propostos por deputados cujos nomes são guardados em sigilo pela Câmara. O pagamento foi suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após decisão liminar da ministra Rosa Weber.

Sem a devida transparência, as emendas secretas teriam se tornado peças de barganha para que Lira aprove projetos de interesse do governo ou dele mesmo.

Waldir denunciou também que o deputado bolsonarista Vitor Hugo (PSL) recebeu R$ 300 milhões em emendas secretas e que deputados da oposição receberam verbas do orçamento secreto após negociações com Lira.